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No Dia de Combate Intolerância Religiosa, Programa Bem Viver avalia no que é preciso avançar

Data completa 15 anos ainda cercada de retrocessos. Para avançar, segundo especialista, é preciso “refazer o país”

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“Vamos tentar recuperar bases, compromissos, contratos sociais que achávamos que estavam tácitos nas nossas relações", diz Ana Gualberto
“Vamos tentar recuperar bases, compromissos, contratos sociais que achávamos que estavam tácitos nas nossas relações", diz Ana Gualberto - Arquivo/Agência Brasil
Muitas vezes, há ação de desrespeito do próprio Estado em relação a espaços religiosos

Este 21 de janeiro marca os 15 anos do Dia Nacional de Combate Intolerância Religiosa, porém sem muito ainda a comemorar: de lá para cá pouco mudou e os últimos anos representam um retrocesso de parte do que foi alcançado, segundo avaliação da historiadora Ana Gualberto, que é coordenadora de ações com comunidades negras tradicionais da organização ecumênica Koinonia.

“Eu gostaria celebrar e dizendo que temos números negativos. Mas nos últimos quatro anos percebemos um acirramento dos conflitos”, relata Ana em entrevista à edição de hoje (21) do Programa Bem Viver. “As pessoas se sentem à vontade para invadir um terreiro ou uma casa de reza e tocar fogo. Muitas vezes, há ação de desrespeito do próprio Estado em relação a esses espaços religiosos. Há narrativas em que a polícia militar adentrou estes espaços de forma arbitrária”.

Desde a década de 1990, o movimento Koinonia se dedica a promover ações educativas e debater ações pela tolerância religiosa com a sociedade e o poder público. Em entrevista, a historiadora fala sobre o cenário atual e alerta que para retomar os avanços pelo fim desse da violência religiosa será preciso “refazer o país”.

“Vamos tentar recuperar bases, compromissos, contratos sociais que achávamos que estavam tácitos nas nossas relações. Eles não estão ou estávamos sendo muito ingênuos em achar que algumas coisas estavam resolvidas e pactuadas”, disse. “Essa democracia que nós defendemos nunca chegou de forma real e concreta para a população negra. Ela continua sendo negada.”

Coronavac para crianças

Ontem (20), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso da vacina Coronavac para crianças entre 6 e 17 anos. Assim, o imunizante produzido pelo Instituto Butantan se soma a vacina da farmacêutica Pfizer na campanha de vacinação contra a covid-19.

O Brasil ainda não tinha acordo de doses suficientes com a Pfizer para vacinar todas as crianças. Como o Butantan já tem autonomia de produção dos imunizantes, a imunização de meninos e meninas deve ser acelerada.

Redes de sementes

O Programa Bem Viver presta uma homenagem aos 15 anos da Rede de Sementes Xingu, iniciativa que atua no combate ao desmatamento na Amazônia. O grupo, formado por pelo menos 500 pessoas, atua como coletor de sementes na floresta, com o objetivo de recuperar áreas degradadas e perpetua espécies ameaçadas.

Pelo menos 6 mil hectares de Floresta Amazônica foram restaurados na Bacia do Rio Xingu e Araguaia, localizada no estado do Mato Grosso. Os coletores são de 21 municípios, sendo de 16 assentamentos rurais de agricultores familiares e de 26 aldeias de três terras indígenas.

Além de ser um trabalho fundamental para a preservação da floresta, a ação tem garantido renda pra a Rede, já que diversos fazendeiros, por lei, precisam recuperar áreas degradadas e para isso compram sementes nativas dos coletores.


Elza Soares tinha luz própria e iniciou a jornada artística ainda no final dos anos 1950 / Carl de Souza / AFP

Elza Soares

Ontem faleceu, aos 91 anos, no Rio de Janeiro, a cantora e compositora Elza Soares, artista de renome internacional, que brilhou nos palcos de distintas partes do mundo. Ao todo, lançou 34 discos, que encantaram o público ao dialogar com diferentes ritmos, entre eles o samba, o jazz e o hip hop.

A cantora também era conhecida por posicionamentos progressistas e de defesa dos direitos humanos. Entre outras coisas, cobrou justiça pela morte da vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro, em 2018.

Nascida na capital fluminense em 1930, iniciou sua jornada artística ainda no final dos anos 1950. Teve uma vida pessoal turbulenta e marcada por tragédias: foi obrigada a se casar aos 11 anos e teve dois filhos que morreram ainda bebês por desnutrição.

Anos mais tarde se casou com o jogador de futebol Garrincha, um relacionamento que durou 17 anos e foi marcado por violências e traições cometidas por ele. Ainda assim, Elza afirmava constantemente que ele foi o maior amor da vida dela.

Em 2000, Elza Soares foi premiada como a melhor cantora do milênio pela BBC de Londres. Um impulso para fazer dos últimos 20 anos dela uma sequência de sucessos. Mesmo com idade avançada, ela produziu obras marcantes e recebeu 10 premiações nacionais e internacionais. Só nos últimos quatro anos, Elza lançou três álbuns de músicas inéditas.


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Edição: Sarah Fernandes