Jornalismo

Assange poderá recorrer de extradição aos EUA no Supremo, decide justiça britânica

Preso desde 2019, fundador do WikiLeaks luta nos tribunais para não ser extraditado aos Estados Unidos

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Stella Moris, companheira de Assange e mãe de dois filhos seus, disse que a decisão da Alta Corte de Londres representa uma vitória - Tolga Akmen / AFP

A Alta Corte de Londres decidiu nesta segunda-feira (24) que Julian Assange poderá fazer uma apelação à Suprema Corte britânica sobre sua possível extradição para os Estados Unidos. O novo desdobramento no caso do fundador do Wikileaks adia em algumas semanas, ou meses, a decisão sobre sua possível transferência para os EUA, onde enfrenta supostas acusações que poderiam colocá-lo por 175 anos atrás das grades.

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O Departamento de Justiça estadunidense acusa Assange de publicar informações confidenciais e utiliza, inclusive, sua Lei da Espionagem criada durante a Primeira Guerra Mundial para fazer seu caso nos tribunais. As informações publicadas pelo WikiLeaks expõem possíveis crimes de guerra dos EUA em suas intervenções no Iraque e no Afeganistão.

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O fundador do Wikileaks está detido na prisão de alta segurança de Belmarsh, perto de Londres, desde abril de 2019 após o Equador revogar sua permanência em sua embaixada britânica. Assange ganhou uma primeira decisão judicial em janeiro de 2021 para não ser extraditado aos Estados Unidos. Todavia, Washington recorreu e obteve decisão favorável em dezembro, abrindo caminho para uma possível extradição.

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A íntegra da decisão que permitiu levar o caso do fundador do WikiLeaks para a Suprema Corte britânica pode ser conferida neste link (em inglês).

Stella Moris, companheira de Assange e mãe de dois filhos seus, disse que a decisão da Alta Corte de Londres representa uma vitória, mas ressaltou que "a luta continua até que Julian esteja livre".

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas destacou que a extradição de Assange aos EUA representaria "um precedente legal profundamente prejudicial que permitiria a acusação de repórteres por atividades de coleta de notícias" e pediu que os EUA retirem as acusações.

As autoridades estadunidenses apresentaram o pedido de extradição do fundador do WikiLeaks durante o mandato do então presidente Donald Trump e a batalha legal continua agora com a Casa Branca sob as ordens de Joe Biden.

Solidariedade brasileira

Jornalistas brasileiros e lideranças de movimentos populares do Brasil manifestaram apoio ao fundador do WikiLeaks. A campanha "Assange Livre Brasil" reúne a participação de jornalistas como Maria Luiza Busse, da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Juca Kfouri, do jornal Folha de S. Paulo, e de outros jornalistas como Emiliano José e Arnaldo Moreira.

"Julian Assange não apenas não cometeu crime algum como, ao contrário, denunciou mais um crime cometido contra a paz mundial", afirma Juca Kfouri em vídeo da campanha. O jornalista classifica Assange como um "símbolo do bom jornalismo e da liberdade de imprensa".

O economista e membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stedile também se pronunciou e atacou a detenção de Assange "nas masmorras do império britânico" e destacou que o jornalista denunciou "as atrocidades do exército americano".

"Quem deveria ir para a cadeia são os responsáveis pelo massacre que houve no Iraque e nos demais países. Portanto nós devemos manifestar nossa indignação, protestar, denunciar contra essa atitude imperial dos EUA que se acham donos do mundo", afirma Stedile.

* Reportagem atualizada às 18:14 para incluir as manifestações de solidariedade do Brasil

Edição: Arturo Hartmann