direitos humanos

Programa Bem Viver discute aumento do trabalho análogo à escravidão em 2021

Número de trabalhadores resgatados nesta situação foi o maior desde 2013. Pandemia é um dos fatores responsáveis

Ouça o áudio:

Em 2021, pela primeira vez, houve fiscalização de auditores fiscais do trabalho em todas as 27 unidades da federação
Em 2021, pela primeira vez, houve fiscalização de auditores fiscais do trabalho em todas as 27 unidades da federação - Roberto Schmidt/AFP
Maioria das vítimas são homens e ligados a atividade rural

Em 2021, o Brasil registrou o maior número de pessoas resgatadas em situações análogas a escravidão desde 2013. Foram 1937 trabalhadores resgatados, um aumento de 107% em relação a 2020. Os dados são de um relatório oficial sobre o combate a este crime, divulgado pelo governo federal na última semana.

“Isso nos leva a crer que a pandemia e a piora das condições de vida da população de modo geral aumentou a vulnerabilidade socioeconômica e isso é um dos fatores que aumentam casos de trabalho análogo ao escravo”, disse a procuradora do trabalho e integrante da Coordenação Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, Lys Sobral. Ela conversou com o Programa Central do Brasil e a entrevista foi repercutida na edição de hoje (3) do Programa Bem Viver.

Pela primeira vez, houve fiscalização de auditores fiscais do trabalho em todas as 27 unidades da federação para verificar denúncias. Elas levaram a resgates no Distrito Federal e em 22 estados – apenas em Rondônia, Acre, Amapá e Paraíba não foram identificados casos.

A colheita do café foi a atividade com mais resgates em 2021. No histórico, outros setores são recorrentes na lista, como beneficiamento de soja e castanho, carvoaria, atividade madeireira e criação de gado, além do trabalho doméstico.

“O perfil de quem acaba sendo explorado é, em geral, de pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, que passou pelo trabalho infantil. A maioria das vítimas são homens e ligados a atividade rural”, pontua Lys.

MST sob ataque

O Brasil de Fato lançou ontem (2) uma série de reportagens especiais sobre ameaças e ataques que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra (MST) vem recebendo no sul da Bahia, especialmente nos últimos três anos.

A reportagem esteve em alguns assentamentos da região e ouviu de famílias relatos extremamente preocupantes: um grupo está atuando para cooptar acampados do movimento para eles deixarem MST com a promessa de conseguir regularizar as terras em que vivem. Uma das lideranças desse movimento é um dissidente do MST e hoje é próximo ao presidente Jair Bolsonaro.

No final do ano passado, Bolsonaro esteve na região para entregar títulos de terra a moradores. E um dos beneficiados, que até subiu no palco e tirou foto com ele, é esse ex-militante chamado Elivaldo da Silva, mais conhecido como Liva.

Poucos dias depois desse evento, um dos acampamentos da região, que ainda luta para regularizar as terras, foi alvo de um ataque armado. Um grupo de pessoas invadiu o Acampamento Fábio Henrique, disparou diversos tiros, fez dois reféns e ateou fogo em um ônibus escolar. O caso até hoje não foi esclarecido, mas moradores confirmaram ter reconhecido Liva no grupo.

Políticas para chuvas

Ontem, na primeira sessão do Congresso Nacional, parlamentares de oposição se uniram a movimentos populares para protocolarem um Projeto de Lei de socorro a agricultores afetados pelas secas e chuvas que afetam diferentes regiões do país.

Uma das principais medidas da proposta é prorrogar por um ano o pagamento de parcelas já vencidas ou ainda por vencer que estejam relacionadas a operações de crédito rural adquiridas pelos trabalhadores rurais.

A ideia é beneficiar agricultores afetados por eventos climáticos que levaram à situações de emergência nos municípios onde vivem.


Confira como ouvir e acompanhar o Programa Bem Viver / Brasil de Fato

Sintonize

O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 11h às 12h, com reprise aos domingos, às 10h, na Rádio Brasil Atual. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo.

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS) e Rádio Cantareira (SP).

A programação também fica disponível na Rádio Brasil de Fato, das 11h às 12h, de segunda a sexta-feira. O programa Bem Viver também está nas plataformas: Spotify, Google Podcasts, Itunes, Pocket Casts e Deezer.

Assim como os demais conteúdos, o Brasil de Fato disponibiliza o programa Bem Viver de forma gratuita para rádios comunitárias, rádios-poste e outras emissoras que manifestarem interesse em veicular o conteúdo. Para fazer parte da nossa lista de distribuição, entre em contato pelo e-mail: [email protected].

Edição: Sarah Fernandes