FALTA FISCALIZAÇÃO

Amazônia: alertas de desmatamento em janeiro aumentam 420% e batem recorde

O primeiro mês deste ano foi o pior janeiro para a floresta desde o início da série histórica do sistema Deter

Brasil de Fato | Lábrea (AM) |

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Área desmatada da floresta amazônica em Lábrea (AM) - MAURO PIMENTEL / AFP

O primeiro mês de 2022 foi o pior janeiro em termos de áreas afetadas por alertas de desmatamento na Amazônia desde 2015, quando foi iniciada a série histórica produzida pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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Foram 430 quilômetros quadrados de áreas sob alerta, 420% a mais do que o mesmo período do ano passado. Até então, o pior janeiro já registrado pelo monitoramento do governo federal havia sido o de 2020, com 284 quilômetros quadrados. 

Entre os oito estados incluídos na chamada Amazônia Legal, o Mato Grosso foi o que apresentou o pior resultado, com 147 quilômetros quadrados. Em seguida vem Rondônia (116), Pará (67), Amazonas (44), Acre (9) e Maranhão (2). Tocantins e Amapá não tiveram registros.

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Os alertas são feitos pelo Inpe por meio do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), que acusa onde a perda de cobertura vegetal está ocorrendo, mas não produz dados oficiais do desmatamento. 

O responsável pelos números oficiais é o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), também do Inpe. Segundo o Prodes, o bioma perdeu 13.235 mil quilômetros quadrados entre agosto de 2020 e julho de 2021, maior devastação desde 2006. 

Menos fiscalização, mais desmatamento 

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) já havia calculado, com base em imagens de satélite, que o desmatamento na Amazônia acumulado em 2021 foi de 10,3 mil quilômetros quadrados, o equivalente a quase toda a cidade de Manaus (AM) e 29% maior do que em 2020. 

Outro estudo, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), analisou o período de agosto de 2018 a julho de 2021 e concluiu que o desflorestamento cresceu 56,6% em comparação com o triênio anterior, atingindo 32.740 quilômetros quadrados, área maior do que a Bélgica. 

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Efeito Bolsonaro

O Ipam concluiu que a devastação começou a acelerar no segundo semestre de 2018, como consequência do discurso de campanha de Jair Bolsonaro (PL), favorável à desarticulação da fiscalização ambiental, chamada pelo então candidato de “indústria da multa no campo”.

A influência da impunidade contribuiu para aumentar as infrações ambientais na Amazônia, concluiu uma pesquisa feita por estudiosos de sete instituições. Apenas 1,3% dos alertas de do MapBiomas foram fiscalizados pelo Ibama entre entre 2019 e 2020. O órgão ambiental só atuou em 6% das áreas desmatadas.  

Edição: Rodrigo Durão Coelho