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Aliança militar liderada pela França anuncia retirada de tropas do Mali

Citando "obstruções" da junta militar que governa o país, Paris anuncia retirada de seus militares

São Paulo (SP) |
Coronel francês entrega chave simbólica de base francesa no Mali para oficial do país africano. Foto de dezembro de 2021. - Florent Vergnes / AFP

A Operação Barkhane e a Operação Takuba caminham para seu fim. Nesta quinta-feira (17), a França e países aliados anunciaram em comunicado que começaram a retirar suas tropas do Mali.

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"Devido a múltiplas obstruções das autoridades de transição malinesas, o Canadá e os Estados europeus que atuam juntos na operação Barkhane e na força-tarefa Takuba consideram que não estão dadas as condições políticas, operacionais e legais para continuar efetivamente com seu atual engajamento militar na luta contra o terrorismo no Mali", diz o comunicado.

A junta militar que governo o Mali, após um golpe de Estado, recuou de um acordo para realizar eleições para o retorno do poder civil e se propõe ficar no poder até 2025.

O presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu a atuação militar francesa na África e elogiou a decisão de seu antecessor, François Hollande, de enviar tropas e disse que se isso não tivesse sido feito, "teria ocorrido o colapso do Estado maliano".

O presidente francês também tem acusado publicamente o grupo paramilitar de origem russa Wagner de atuar no Mali por "interesses comerciais".

Macron defendeu o fim da parceria, mas destacou que tropas europeias continuaram no Níger e no Golfo da Guiné.

"Não podemos permanecer engajados militarmente ao lado de autoridades de fato de cuja estratégia e objetivos secretos não compartilhamos", afirmou Macron.

Os militares estrangeiros estão no país desde 2013 e participam de uma operação de combate ao terrorismo fundamentalista islâmico. Cerca de 2.400 soldados franceses estão no Mali, que também conta com uma missão de paz da ONU e uma missão de treinamento da União Europeia.

* Com informações da DW.

Edição: Arturo Hartmann