corrupção no MEC

Milton Ribeiro vai cair? Bancada evangélica exige demissão, e Bolsonaro deve acatar

Líder evangélico na Câmara e Malafaia pressionam por saída; presidente diz que colocaria "cara no fogo" por ministro

Brasil de Fato | Brasília (DF) |

Ouça o áudio:

Ministro da Educação está no centro do escândalo dos pastores lobistas; Ribeiro deve deixar o cargo - Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PL) deve demitir o ministro da Educação, Milton Ribeiro, por pressão da bancada evangélica no Congresso Nacional. O chefe do MEC está no centro do escândalo dos pastores lobistas na pasta.

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Diversos veículos, como os jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, e os sites G1, MetrópolesO Antagonista, afirmam que Bolsonaro já tomou a decisão, convencido por aliados. As reportagens apontam a "ala política" do governo como fonte da informação.

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O Estadão diz que o próprio Ribeiro colocou o cargo à disposição para evitar mais danos à campanha eleitoral do presidente. "A palavra final agora está com Bolsonaro", destaca a reportagem.

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O G1, por sua vez, diz que "alguns aliados defenderam uma licença de Ribeiro, mas a preferência é pela demissão". A Folha indica que Bolsonaro e Ribeiro já trataram da saída do chefe do ministério.

O Metrópoles aponta que o substituto de Ribeiro deve ser Victor Godoy Veiga, secretário-executivo da pasta. O número 2 do Ministério da Educação é o maior candidato a assumir o posto de Ribeiro, segundo o site.

De acordo com as reportagens, é provável que Bolsonaro aproveite a saída de seus ministros que vão disputar as eleições, em 1º de abril, para anunciar a saída de Ribeiro. Cerca de oito chefes da Esplanada devem deixar o cargo na data.

Críticas de Silas Malafaia

O pastor Silas Malafaia, um dos religiosos mais próximos a Bolsonaro, fez duras críticas a Ribeiro nas redes sociais na manhã desta segunda (28). Ele escreveu que o ministro deve ser demitido "para nunca mais voltar".

Foto com esposa na Bíblia usada para corrupção

Nesta segunda-feira (28), após uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelar a distribuição de bíblias com fotos do ministro da Educação em evento da pasta, o titular do MEC afirmou que autorizou o uso de sua imagem para confecção de exemplares da obra.

“Autorizei em 2021 o uso de minha imagem para a produção de algumas bíblias para distribuição gratuita em um evento de cunho religioso”, disse o ministro em suas redes sociais.

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O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), presidente da bancada evangélica, criticou o ministro pela distribuição de exemplares da Bíblia com sua foto.

“É vergonhoso ver um pastor misturar o sagrado com o profano. Nós evangélicos não aceitamos mistura da igreja com o Estado. Essa atitude é totalmente reprovada, a Igreja é muito maior do que a política”, disse ao Estadão.

Dois inquéritos sobre o caso tramitam na Polícia Federal

No final da semana passada, a Polícia Federal abriu dois inquéritos para investigar as supostas irregularidades na liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão ligado ao Ministério da Educação.

O primeiro deles foi aberto na Superintendência da PF no Distrito Federal e irá apurar as suspeitas apontadas em um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre distribuições de verbas do FNDE.

A outra investigação foi instaurada na sede do órgão, no setor que cuida de inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), e tem como alvo o ministro Milton Ribeiro e a fala dele em áudio revelado pela Folha de S.Paulo.

"A pedido de Bolsonaro"

Na segunda-feira passada (21), uma reportagem da Folha divulgou um áudio em que o ministro da Educação diz favorecer, a pedido do presidente Jair Bolsonaro, prefeituras de municípios ligados a dois pastores.

A divulgação da gravação foi um fato novo envolvendo a questão, que, segundo a CGU, era investigada desde o ano passado.

As denúncias foram recebidas pela CGU no dia 27 de agosto de 2021 e tratam de possíveis irregularidades que estariam ocorrendo em eventos realizados pelo MEC e sobre o oferecimento de vantagem indevida, por parte de terceiros, para a liberação de verbas do fundo. A apuração ocorreu entre os dias 29 de setembro de 2021 e 3 de março de 2022.

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O órgão concluiu que agentes públicos não estavam envolvidos nas supostas irregularidades e enviou o caso para a PF, que abriu um inquérito criminal. Na quinta-feira (24), a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia autorizou a abertura de inquérito para investigar Milton Ribeiro.

O caso também é apurado na esfera cível pela Procuradoria da República no Distrito Federal. O Tribunal de Contas de União (TCU) também vai realizar uma fiscalização extraordinária no Ministério da Educação.

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Outro lado

Em nota divulgada à imprensa após a divulgação do áudio, o ministro Milton Ribeiro disse não haver nenhum tipo de favorecimento na distribuição de verbas da pasta. Segundo Ribeiro, a alocação de recursos federais segue a legislação orçamentária.

"Não há nenhuma possibilidade de o ministro determinar alocação de recursos para favorecer ou desfavorecer qualquer município ou estado”, disse o ministro na nota.

"Cara no fogo"

Diante do suposto esquema de corrupção na distribuição de verbas do Ministério da Educação para prefeituras, Bolsonaro saiu em defesa do ministro Milton Ribeiro e disse que “bota a cara no fogo” pelo pastor.

"O Milton, coisa rara de eu falar aqui: eu boto minha cara toda no fogo pelo Milton. Estão fazendo uma covardia contra ele", disse Bolsonaro, durante sua live semanal no Facebook, na quinta-feira (24). 

De acordo com entrevistas de prefeitos, o esquema de negociação de recursos no Ministério da Educação esbarrava em compra de bíblias, pedidos de propina em ouro e fila de pastores para participar das negociações.  

No total, pelo menos 10 prefeitos relataram a presença de pastores na intermediação de recursos ou no acesso direto ao ministro da Educação depois que o esquema foi revelado pela imprensa.

Edição: Vivian Virissimo