Teatro

Ói Nóis Aqui Traveiz apresenta “Quase Corpos” entre os dias 12 e 17 de abril 

Apresentação em Porto Alegre com entrada franca faz parte da comemoração dos 44 anos da companhia 

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A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz continua com a sua campanha TERREIRA DA TRIBO EU APOIO! para a manutenção do espaço cultural | Crédito: Foto: Elizabeth Thiel

No dia 31 de março de 1978, o Ói Nóis Aqui Traveiz estreava a sua primeira encenação, no seu primeiro teatro, na rua Ramiro Barcelos, na capital gaúcha. Eram duas peças curtas, ‘A Divina Proporção’ e ‘A Felicidade Não Esperneia Patáti, Patátá’, que criticavam a sociedade capitalista. Para celebrar os 44 anos da companhia, o Ói Nóis Aqui Traveiz apresenta, entre os dias 12 e 17 de abril, às 20 horas, “Quase Corpos”, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1141, Porto Alegre).

Quase Corpos tem entrada franca e os ingressos devem ser reservados através da plataforma Sympla (neste link)

“A Tribo completa 44 anos de utopia, paixão e resistência, de um teatro com pedra nas veias, político e popular, de pesquisa inovadora, continuada, rompendo a estética do teatro convencional, levando a relação entre atores e espectadores até às últimas consequências, e um compromisso permanente com a Arte Pública”, destaca a companhia. 

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz continua com a sua campanha Terreira da Tribo Eu Apoio! para a manutenção do espaço cultural. O público interessado pode colaborar com uma assinatura mensal através da benfeitoria.com/terreiradatribo ou com uma doação para a Associação dos Amigos da Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (CNPJ 95.123.576/0001-52, através da conta Caixa Econômica Federal – Agência 0448 – Operação 003 – Conta Corrente 01315-4 / ou pelo PIX Chave 95123576000152)

Sobre a peça: 

“Quase Corpos: Episódio 1 – A Última Gravação” foi criada em 2021, em meio à pandemia, como audiovisual para ser transmitido em plataforma virtual. A encenação agora ganha a forma presencial.  Quase Corpos é um estudo do teatro de Samuel Beckett que revela a fragmentação do corpo físico, psíquico e das relações sociais. Temas como solidão, sofrimento, fracasso, angústia, absurdo da condição humana e morte são abordados a partir da pesquisa de linguagem e do trabalho autoral que os atuadores desenvolvem. A encenação “Quase Corpos: Episódio 1 – A Última Gravação”, versão livre da peça Krapp’s Last Tape, mostra o confronto de um homem de 69 anos com o seu passado. 

O velho homem escuta num antigo gravador a fita-registro de 30 anos atrás. Escuta sua própria voz narrar extintas aspirações, lembranças de amores perdidos, a morte da mãe, a esperança não confirmada de êxito comercial literário. Memórias de fracassos, declínio e dissipação. Depois gravará uma nova fita, como faz todos os anos, no dia do seu aniversário. O velho Krapp fala pouco e as palavras apagaram-se de sua memória. Um homem amargurado, a remoer-se em plena solidão, parece nada ter de relevante a evocar ou perpetuar. 

Peça com uma única personagem, patética com suas duas vozes contrastantes – a do passado, com seu registro promissor; e a do presente, uma constatação frustradora -, nada mais é que o balanço de uma vida, com a degradação física e mental causada pela erosão do tempo, além do sacrifício da parte amorosa visando uma realização artística que é, afinal, malograda. Imagem tristemente irônica da vida, exprimindo Beckett a mistificação da qual todo homem pode ser vítima. Ironia cruel, disfarçada pelo humor. Roupa bizarra, atitudes, gestos, grunhidos e blasfêmias da personagem, além do seu jogo com as bananas ou com as garrafas de bebida (não visto, mas pressentido) são notas cômicas que temperam, para o público, a amargura de uma vida melancólica.

Samuel Beckett (1906-1989) nasceu na Irlanda. Foi um dos principais dramaturgos e escritores do século XX. Nas imagens teatrais projetadas e textos em prosa, Beckett alcançou uma beleza simples e eterna visão do sofrimento humano, lançada através da comédia sombria e do humor. A citação para seu prêmio Nobel de literatura em 1969 exaltou-o pelo ‘conjunto da obra que com formas de ficção e de teatro transformaram o desamparo do homem moderno em exaltação’. Autor de peças como “Esperando Godot”, “Fim de Partida” (encenada pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz em 1986) e “Dias Felizes”.


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Editado por: Marcelo Ferreira

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