Salário mínimo

Mais uma vez é adiada decisão sobre o mínimo regional do Rio Grande do Sul

Centrais sindicais pedem reajuste de 15,58%, que repõe apenas a inflação; empresários defendem reajuste zero

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Fórum sobre o mínimo regional do RS realiza a terceira rodada de negociações entre trabalhdores e empresários | Crédito: Foto: Joaquim Moura

Com a troca do comando no governo do estado, mais uma vez ficou adiada a negociação sobre o reajuste do salário mínimo regional. Na reunião do fórum criado pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, na manhã da quarta-feira (13), o novo secretário do Trabalho e Renda do Estado, Hamilton Sossmaier, alegou estar participando da reunião apenas para tomar conhecimento das posições tanto do lado patronal como dos empregadores.

“Sei que não é fácil chegar a um acordo. Tenho experiência dos dois lados do balcão”, disse. Sossmaier lembrou que já foi metalúrgico e bancário, mas também diretor de empresa e, por isso, compreende perfeitamente os argumentos de ambos os lados. “Vou me empenhar por uma proposta equilibrada”, anunciou.

"Hora do governo definir uma proposta"

Já o deputado Luiz Fernando Mainardi (PT), que sugeriu a constituição da mesa, disse que é hora do governo arbitrar e definir uma proposta. “Fizemos a nossa parte. Estamos em uma quarta reunião de negociações. As propostas e os argumentos já foram apresentados. Agora é a vez de o governo entrar e dizer o que pretende”, sustentou. O parlamentar disse, também, que a demora na definição é muito ruim para os trabalhadores, já que no contexto atual cada mês sem reajuste significa R$ 200,00 a menos no bolso.

Esta foi a terceira rodada entre as partes. As duas primeiras ocorreram em 16 e 30 de março. Com data-base em 1º de fevereiro, as centrais entregaram ao então governo Eduardo Leite (PSDB), em 15 de fevereiro, a reivindicação de 15,58%, que considera a reposição de 10,60% referente à variação do INPC de 2021 até janeiro deste ano e a recuperação de 4,50% correspondente ao INPC de 2019, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“Nossa proposta de reajuste já foi apresentada e representantes patronais voltaram a defender reajuste zero como fizeram em 2020, enquanto o governo continua em silêncio, prejudicando cerca de 1,5 milhão de trabalhadores e trabalhadoras que perdem renda para comprar alimentos e enfrentar a alta da inflação”, afirma o presidente estadual da Centra Única dos Trabalhadores do RS (CUT-RS), Amarildo Cenci.

A terceira rodada foi a primeira após a renúncia do ex-governador tucano, que deixou o Palácio Piratini sem nunca ter recebido as centrais para dialogar sobre o chamado piso regional e muito menos ter enviado projeto de lei de reajuste deste ano aos deputados.

RS tem o menor mínimo regional do Sul do Brasil

Leite deixou o estado na lanterna do mínimo regional no Sul do Brasil. Segundo estudo do Dieese, o RS paga atualmente R$ 1.305,56 para a menor faixa salarial, enquanto o valor em Santa Catarina é de R$ 1.416,00 e no Paraná é de R$ 1.617,00.

Para o secretário de Administração e Finanças da CUT-RS, Antônio Güntzel, “o achatamento do piso regional significa também uma apropriação indevida da renda do trabalhador e da trabalhadora pelas empresas, no exato momento em que disparou a inflação, sobretudo diante dos preços abusivos da gasolina, do diesel e do gás de cozinha por conta da política do governo Bolsonaro que atrelou os combustíveis ao dólar”.

“Esperávamos que os representantes do novo governador Ranolfo Vieira Júnior (PSDB) não viessem de mãos vazias e tragam uma proposta de reajuste ao piso regional que reponha as perdas inflacionários para os menores salários pagos no estado”, concluiu.

Além dos deputados Valdeci Oliveira e Luiz Fernando Mainardi e Zé Nunes, todos do PT, e do secretário Hamilton Sossmaier, participaram da reunião representantes das centrais sindicais, da Fiergs e da Fecomércio, e a presidente do Conselho Estadual de Trabalho, Emprego e Renda, Maria Helena Oliveira. A expectativa de todos é que o governo indique nas próximas semanas o índice que vai apresentar à Assembleia Legislativa.

* Com informações da assessoria  da CUTRS e da agência de notícias da ALRS


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Editado por: Marcelo Ferreira

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