Colonialidade

De abolição inconclusa a genocídio atual: programa Bem Viver discute racismo estrutural no país

Além de uma entrevista com o professor e ativista contra o racismo Helio Santos, edição acompanha atos das Mães de Maio

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Para o professor e ativista Helio Santos, as eleições deste ano serão permeadas por um debate inédito sobre o racismo no Brasil - José Cruz/Agência Brasil
O dia 14 de maio de 1888 é o dia mais longo da nossa história, porque nos atinge hoje nas ruas

O programa Bem Viver desta sexta-feira (13) aborda pautas históricas e contemporâneas do racismo estrutural que influencia no dia a dia do país. A data 13 de maio é o foco da entrevista com o professor e ativista Helio Santos, que analisa os aspectos inconclusivos dos 134 anos da abolição da escravatura no Brasil.   

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A partir do contexto das eleições deste ano, com potência para definir o futuro do país, inclusive em longo prazo, o ativista contra o racismo foi enfático: “A desigualdade no Brasil é uma decisão política e perpassa todos os governos.”

Santos tem propriedade para a defesa dessa percepção. Militante desde a década de 1970, é pioneiro na participação em ações, políticas e movimentos para correção histórica das consequências do preconceito. Hoje, preside o Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil.

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Em entrevista ao Brasil de Fato, ele falou sobre o processo de desmistificação e ressignificação do 13 de maio, Dia da Abolição da Escravatura. O debate não é novo, mas ganha contornos urgentes no governo conservador de Jair Bolsonaro (PL), afeito a celebrações que reforçam os tentáculos do colonialismo.

“O dia 14 de maio de 1888 é o dia mais longo da nossa história, porque nos atinge hoje nas ruas, nas esquinas, nas cadeias e nas 6,5 mil favelas que se tem no Brasil”, ressalta o professor.

Na conversa, ele também foi veemente ao afirmar que a pauta racial precisa alcançar a esfera política de maneira definitiva, principalmente na representatividade. Para Helio Santos, as eleições deste ano serão permeadas por esse debate de uma maneira ainda inédita no Brasil.

Exemplo do racismo contemporâneo

O genocídio da juventude negra representa uma das formas do racismo estrutural do país constituído desde sua colonialidade secular. Um exemplo deste realidade brasileira aconteceu em 2006, quando em  apenas nove dias – entre 12 e 21 de maio – policiais com e sem farda executaram 425 pessoas e desapareceram com outras quatro no estado de São Paulo. As matanças seguiram ao longo dos dias seguintes, vitimando mais 80 civis. Foi um revide.

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Tendo jovens, negros e periféricos como alvo, a ação dos agentes do Estado foi uma retaliação a ataques que haviam sido feitos pouco antes pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e que resultaram na morte de 59 agentes públicos, entre policiais, guardas civis e policiais penais.  

Completando 16 anos sem resolução, esse foi um dos maiores massacres cometidos pelo Estado no Brasil contemporâneo, sendo chamado de crimes de maio de 2006. Por isso, o Bem Viver acompanhou a articulação do Movimento Independente Mães de Maio, nascido em reação a esse evento, que segue na luta por justiça e mira o Ministério Público (MP) em suas denúncias. 

Alimentação para o saber e a vida  

O Bem Viver também aborda propostas para uma transformação da nossa sociedade. No quadro Momento Agroecológico, a edição apresenta uma experiência com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), em Jacobina (BA), que fica a 341 quilômetros da capital Salvador.

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A merendeira Sirley Ferreira da Silva conta que ocorreram mudanças após a inserção dos alimentos agroecológicos para o preparo da merenda. A disponibilidade de alimentos frescos e de temperos despertou o interesse dos alunos pela refeição. 

“Não adianta a gente querer proporcionar uma alimentação saudável, sendo que o que chega de produtos não ajuda. Então, a partir da introdução da agricultura familiar, a gente vê uma mudança [na merenda]. Porque as frutas, verduras e legumes são de qualidade e isso faz com que a gente fique animado de preparar e fornecer a merenda. Antes a gente tinha esse medo de fornecer algo que o aluno via e voltava, não consumia”.  

A inserção de alimentos agroecológicos na merenda escolar, pode contribuir para a mudança nos hábitos alimentares das crianças e de suas famílias. É o que aponta a pesquisa “Comida de Verdade nas Escolas do Campo e da Cidade: Agroecologia e Alimentação Escolar” realizada pela  Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN). 


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O programa Radinho BdF vai ao ar às quartas-feiras, das 9h às 9h30, na Rádio Brasil Atual. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo e 93,3 FM na Baixada Santista. A edição também é transmitida na Rádio Brasil de Fato, às 9h, que pode ser ouvida no site do BdF.

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Edição: Daniel Lamir