OSTENTAÇÃO?

Cobertura de casamento de Lula e Janja lembra acusação de Collor sobre aparelho de som em 1989

Analistas e políticos fazem comparação entre "ostentação" com espumante nacional e acusações infundadas contra o petista

Brasil de Fato | Brasília (DF) |

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Collor e Lula disputaram o 2º turno das eleições presidenciais de 1989 - Reprodução/YouTube

A cobertura jornalística do casamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da socióloga Rosângela da Silva, Janja, na noite desta quarta-feira (18), reacendeu um tipo de ataque ao petista que se repete, pelo menos, desde o início dos anos 1980, como a acusação feita por Collor, no 2º turno das eleições de 1989, de que o ex-presidente possuía um toca-fitas 3 em 1. À época, o aparelho era um símbolo de ostentação. 

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Antes mesmo de sua primeira disputa eleitoral pelo Palácio do Planalto, contra Fernando Collor, em 1989, Lula já era alvo de reportagens enganosas sobre seu padrão de vida, com denúncias que nunca foram comprovadas sobre supostos gastos feitos pelo ex-metalúrgico.

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Nos últimos dias, analistas e políticos fizeram comparações entre as reportagens sobre a suposta "ostentação" do casamento de Lula e Janja e as acusações infundadas contra o petista repercutidas nas últimas décadas.

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Intolerância da elite

Um aparelho de som citado por Collor na disputa eleitoral de 1989 como uma acusação contra Lula e o preço dos espumantes e vinhos do casamento simbolizam, na visão de aliados de Lula, uma intolerância da elite e da imprensa brasileira à ascensão econômica dos trabalhadores.

"Vinho de 90 reais no casamento, onde já se viu! A única "ostentação" nesse caso é de preconceito de classe misturado com burrice. Até pra fazer jornalismo marrom é preciso ter mais inteligência", disse o escritor Sérgio Rodrigues. Leia outros comentários ao final do texto.

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Relembre quatro acusações contra Lula:

Apartamento no Guarujá

Em 1982, quando se candidatou para governador de São Paulo, em sua primeira disputa por um cargo público, o jornal O Estado de S. Paulo repercutiu uma acusação infundada que dizia que o petista tinha uma casa de veraneio na cidade turística litorânea.

Com uma estrela do PT e o nome do partido sobre a foto de uma grande casa, o panfleto distribuído no último dia de campanha dizia: "Esta é a casa do Lula onde ele passa as suas férias, no Guarujá". Décadas depois, Lula foi condenado e, depois, inocentado em caso que envolvia um apartamento no mesma região.

Mansão no Morumbi

Na mesma disputa eleitoral, em 1982, Lula foi alvo de uma boataria de grandes proporções dando conta que Lula teria uma enorme mansão no Morumbi, bairro nobre de São Paulo. Na realidade, Lula deixou de morar em São Bernardo do Campo apenas neste ano, quando mudou para um casa alugada na capital paulista.

Órgãos de fiscalização e controle, como Receita Federal e Ministério Público, jamais sequer aventaram a hipótese de Lula ser dono de uma mansão no Morumbi ou um apartamento no Guarujá. Nos anos seguintes, porém, as acusações não se restringiram aos imóveis.

Aparelho de som

Em 1989, no último debate eleitoral da disputa do 2º turno das eleições presidenciais, contra o alagoano Fernando Collor, Lula foi acusado pelo oponente de ter um aparelho de som “3 em 1” (toca-fitas, toca-discos e rádio). À época, o equipamento era símbolo de ostentação.

A fala de Collor foi relembrado pelo analista político Thomas Traumann, em sua conta no Twitter. Na declaração, o vencedor daquela eleição disse que Lula teria "construído uma casa bonita, inclusive com aparelhagens ultramodernas e sofisticadas de som que na minha casa eu ainda não havia tido oportunidade de ter”.

Garrafa de champagne

Traumann apontou que, nas eleições de 2002, um fato similar mobilizou a imprensa brasileira: "Foi assim com o escândalo quando o publicitário Duda Mendonça abriu uma garrafa de Romanée Conti 1997 num jantar na campanha de 2002".

"Cobra-se de Lula um ascetismo que não existe no seu principal adversário. Jair Bolsonaro passeia de jet-sky pago com dinheiro público, seu filho comprou uma casa de R$ 6 milhões sem origem de recursos comprovada. Deve-se cobrar Lula por suas propostas, não pelo espumante gaúcho da sua festa de casamento", concluiu.

E o Bolsonaro? Milhões no cartão de crédito

As comparações com o presidente Jair Bolsonaro (PL) também foram feitas por outros políticos de diferentes partidos e comentaristas. Diversas publicações relembraram os gastos do atual chefe do Executivo com o cartão corporativo. 

Leia outros comentários sobre o caso:

Edição: Rebeca Cavalcante