Assista ao vídeo

Com flexibilização após período de controle mais rígido, como está pandemia na China?

País asiático começa a relaxar lockdown e deve investir em vacinação para proteger população

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

Ouça o áudio:

Centro de testagem de covid em Shenyang, na China - AFP

Com a melhora no número de casos de covid-19, a China começa a flexibilizar suas regras de distanciamento social impostas para frear o avanço o coronavírus. Apesar do sucesso na contenção do vírus, as políticas públicas chinesas foram duramente criticadas pela imprensa ocidental.

A cidade de Xangai flexibilizou as medidas de controle da pandemia na semana passada, após dois meses de um lockdown rigoroso. Já a capital Pequim começou a flexibilizar as medidas em vários distritos no dia 29 de maio. O governo da cidade determinou a reabertura de shopping centers e parques fora das áreas de quarentena. O transporte público também foi retomado em alguns distritos.

"São medidas sanitárias que o país tem autonomia para tomar. E são eficazes. Sem dúvida nenhuma. O que ocorreu na verdade é que essas medidas se tornaram necessárias na medida em que não foi feito, digamos, um convencimento e talvez um trabalho de orientação dessas populações para que elas aderissem à vacinação", afirma a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo.

Uma das principais preocupações do governo de Xi Jinping tem sido os idosos. A vacinação na China não é obrigatória e a faixa etária acima de 80 anos é a que menos têm aderido às vacinas contra a covid-19. Apenas 58,8% dessa fatia da população tomou a primeira dose da vacina. Já entre os idosos na faixa de 70 anos, a porcentagem sobe para 86,1%. Entre aqueles na faixa de 60 anos, 88,8% já se imunizaram com ao menos uma dose.

Essa baixa adesão se explica principalmente pelo receio em relação a supostos efeitos colaterais.

"Um outro problema daqui, da China, é que justamente nesses últimos dois anos, nós não sofremos de fato com a pandemia. Então não havia um incentivo, né? Uma urgência das pessoas, dos idosos procurarem vacina", avalia Marco Fernandes, morador de Xangai e pesquisador do Instituto Tricontinental.

Edição: Arturo Hartmann