combate à fome

Em um cenário de aumento da insegurança alimentar, MTST inaugura 31ª Cozinha Solidária

A unidade, localizada na região central da cidade de São Paulo, pode servir pelo menos 500 refeições por dia

São Paulo (SP) |
Cozinha Solidária Herbert de Souza vai distribuir pelo menos 500 refeições por dia - Divulgação/MTST

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) inaugurou, nesta terça-feira (14), a Cozinha Solidária Herbert de Souza, na região central do município de São Paulo. Essa é a maior das 31 cozinhas solidárias construídas pelo movimento.  

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O projeto teve início em março de 2021, com a chegada da pandemia de covid-19 no país. Ao longo deste período, o MTST já soma cerca de 513 mil refeições distribuídas gratuitamente para pessoas em situação de vulnerabilidade social em todo o Brasil. 

A nova cozinha vai distribuir pelo menos 500 almoços diários. O volume de marmitas pode aumentar a depender da quantidade de doações oferecidas ao MTST. 

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Comida e acolhimento 

De acordo com Cecília Gomes, coordenadora do MTST e das cozinhas solidárias no estado de São Paulo, a cozinha não foi pensada apenas para a distribuição das refeições, mas também para ser um espaço de acolhimento, com rodas de conversas e atendimento às necessidades mais básicas. 

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“A cozinha solidária do MTST não é apenas para servir o alimento e dar as costas. Serve também como um espaço de acolhimento, onde acontecem rodas de conversas com gestantes, com homens, acolhimento social. É um trabalho social além da entrega da marmita”, afirma Gomes. 

“Nosso objetivo é atender o maior número de pessoas para que não sofram com a fome. Precisamos aproveitar esse espaço com o máximo de solidariedade, união e forças, porque aqui estão concentradas centenas pessoas que estão passando necessidade, famílias morando na rua, sem um teto para morar”, diz. 

Na mesma linha, Adriana Belarmino, uma das cozinheiras da Cozinha Solidária Herbert de Souza, afirma que a proposta é "fornecer um alimento digno para a população que precisa, com alimentos feitos com amor e carinho".  

"A gente desce na estação e vê que a população de rua aumentou muito depois da pandemia. Aconteceram muitos despejos e muita gente foi viver nessa situação, sem o que comer. E a gente acha importante essa cozinha justamente para levar alimento para essas pessoas que necessitam", afirma Belarmino. 

Ação contra a fome

A cozinha leva o nome de Herbert de Souza, o Betinho, fundador da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, que hoje é parceira do MTST no projeto das cozinhas solidárias. Na época em que foi fundada, em 1993, a Ação da Cidadania tinha como objetivo ajudar 32 milhões de brasileiros que, de acordo com dados do Ipea, estavam abaixo da linha da pobreza.  

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Hoje, 33,1 milhões de brasileiros passam fome no país, o equivalente a 15,5% da população. O número é do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan). 

O coordenador do MTST e da Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos afirmou que “a questão é que 33 milhões de pessoas com fome já é inaceitável, uma vergonha nacional. Só que a gente bota comida na mesa da China, Europa e dos Estados Unidos, e aqui o nosso povo está na fila do osso. Isso mostra o tamanho da contradição. O problema não é falta de comida. O problema é a desigualdade", disse Boulos.  

Também estiveram presentes Ediane Maria, coordenadora do MTST em São Paulo e pré-candidata a deputada estadual; Maria Angélica Tavares de Medeiros, da Rede Penssan; Marcelo Jambeiro de Oliveira, da Ação da Cidadania e o advogado Walfrido Warde, presidente do Instituto para a Reforma das Relações entre Estado e Empresa. 

A cozinha está localizada na Rua Venceslau Brás, no número 141, a 150 metros da Praça da Sé, na região central do município de São Paulo. O horário de funcionamento é das 12h às 14h, de segunda a sexta-feira.

 

Edição: Thalita Pires