Aliança vai crescer?

Coalizão governista perde 105 cadeiras no Parlamento e Macron fica sem maioria

Presidente francês perde maioria absoluta que desfrutou durante seu primeiro mandato e pode ter que ampliar alianças

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
O presidente francês Emmanuel Macron - John Thys/AP/picture alliance

Poucos meses após conquistar sua reeleição, o presidente da França, Emmanuel Macron, sofre uma derrota nas eleições parlamentares e vê sua coalizão Ensemblé ("Juntos", em tradução livre) encolher de 350 deputados para 245 deputados. Com 577 cadeiras, são necessários 289 deputados para formar uma maioria simples no legislativo francês.

No domingo (19), a França realizou o segundo turno de suas eleições parlamentares. O país tem 48,58 milhões de eleitores aptos a votar, mas o pleito teve uma taxa de abstenção de 53,7% e esta rodada final da eleição teve 20,7 milhões de votos válidos.

Apesar da Ensemblé continuar como a maior coalizão do Parlamento, a esquerda superou divisões históricas e sua coalizão, a Nova União Popular Ecológica e Social (Nupes), elegeu 131 deputados. Já o partido de extrema direita Reagrupamento Nacional fez 89 deputados e o partido centrista Os Republicanos conquistou 61 cadeiras.

Agora, Macron pode tanto buscar formar uma nova coalizão quanto negociar seus projetos individualmente no Parlamento. Até esta segunda-feira (20), o presidente ainda não havia comentado o resultado das urnas.

Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda francesa e derrotado por Macron nas eleições presidenciais de abril, defendeu a unidade dos parlamentares da Nupes após a divulgação do resultado e afirmou que Macron foi derrotado nas urnas. "Não propus a dissolução dos partidos, mas a formação de um grupo parlamentar comum", disse Mélenchon.

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A França Insubmissa, agremiação de Mélenchon, saltou de 17 deputados para 72 congressistas e foi o partido que mais se expandiu na coalizão esquerdista que também conta com o Partido Socialista, o Partido Comunista Francês e o Polo Ecologista.

Já Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, classificou os resultados como uma vitória "do povo francês" que escolheu tornar Macron um "presidente minoritário". Le Pen ainda defendeu que seu partido fique com a vice-presidência do Parlamento e a presidência da Comissão de Finanças do Legislativo.

"Esta situação constitui um risco para o nosso país, dados os desafios que temos que enfrentar", disse a primeira-ministra Elisabeth Borne, do grupo de Macron, em um comunicado televisionado no domingo. "Trabalharemos a partir de amanhã para construir uma maioria".

Edição: Arturo Hartmann