RONDA POLÍTICA

Militares admitem apuração paralela das eleições, Facebook dá brecha para fake news, e mais

Noticiário traz reportagens sobre ameaças ao processo eleitoral de outubro, por meio do ataque às urnas eletrônicas

Brasil de Fato | Brasília (DF) |
Urnas eletrônicas no alvo de militares e de fake news nas redes sociais - Nelson Jr./ ASICS/ TSE

O noticiário político desta segunda-feira (8) repercute casos que apontam ameaças às eleições de outubro. Os dois principais episódios, relatados em reportagens publicadas pelos jornais O Estado de S.Paulo e O Globo, mostram que militares das Forças Armadas estão empenhados na deslegitimação do processo eleitoral e que as redes sociais têm dado brechas a ataques às urnas eletrônicas.

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Defesa admite contagem paralela de votos

Integrantes do Ministério da Defesa admitiram, pela primeira vez, em conversas reservadas, que estão se preparando para realizar uma contagem paralela de votos nas eleições deste ano. A medida tem sido cobrada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) desde abril. O mais provável até agora, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo é que uma contagem patrocinada pelos militares use os boletins impressos pelas urnas eletrônicas após o encerramento da votação.

Outra alternativa avaliada para a contagem paralela seria ter acesso a dados retransmitidos pelos tribunais regionais ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão de realizar a totalização de votos por conta própria ainda não foi oficializada, tampouco comunicada ao TSE. De acordo com militares lotados no comando da Defesa, que têm feito a fiscalização das urnas no TSE, tudo depende de uma decisão do ministro da pasta, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

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Militares que montaram uma equipe própria para a tarefa, formada por dez oficiais da ativa do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, dizem que o “acompanhamento da totalização” é parte do plano de fiscalização das urnas. A Defesa afirma que age de forma técnica para contribuir com o aperfeiçoamento da segurança e transparência do sistema.

Facebook dá brecha a fake news

Um levantamento feito a pedido do jornal O Globo e realizado pelo NetLab, laboratório vinculado à Escola de Comunicação da UFRJ, mostrou que entre 26 de junho e 31 de julho, ao menos 21 anúncios com desinformação sobre o tema foram autorizados pela Meta, empresa que controla as plataformas.

Entre os conteúdos disseminados, estão publicações que colocam em dúvida a apuração do pleito de 2020, outras que afirmam que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já conhecem o resultado das votações deste ano e algumas ainda lançam teorias da conspiração sobre as urnas eletrônicas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) veda que postulantes a cargos eletivos disseminem fatos “sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados” a respeito do sistema eleitoral.

Os pesquisadores, que coletaram dados por meio da API da biblioteca de anúncios da Meta, que permite a captura das informações de forma automatizada, destacam que a circulação desses anúncios só é possível porque não há nas regras das redes a proibição expressa a alegações falsas de fraude ou postagens que lancem dúvidas sobre a confiabilidade das urnas.

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O levantamento identificou ainda que a disseminação partiu de perfis de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), que já fez diversos ataques ao sistema eleitoral. A maior parte dos anúncios foi paga por candidatos a deputado federal ou estadual filiados a partidos próximos ao Planalto, como PL, Republicanos, PP, PSC e Patriota. O investimento por anúncio variou em faixas entre R$ 100 e R$ 600, segundo dados da Meta, que trazem estimativas. O alcance total ficou em torno de 500 mil impressões, o que representa o número de vezes em que as mensagens apareceram para os usuários.

Michelle vê demônios no Planalto

A primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou durante um culto evangélico em Belo Horizonte, neste domingo (7), que o Planalto já foi "consagrado a demônios". "Podem me chamar de louca, podem me chamar de fanática, eu vou continuar louvando nosso Deus, vou continuar orando", disse ela, ao lado de Jair Bolsonaro (PL), na Igreja Batista Lagoinha, em uma cerimônia de comemoração de 50 anos do ministério do pastor Márcio Valadão.

"Vou continuar orando e intercedendo em todos os lugares, e sabe por que, irmãos? Porque por muitos anos, por muito tempo, aquele lugar foi um lugar consagrado a demônios. Cozinha consagrada a demônios, Planalto consagrado a demônios e hoje consagrado ao senhor Jesus. Ali, eu sempre falo e falo para ele [Bolsonaro], quando eu entro na sala dele e olho para ele: essa cadeira é do presidente maior, é do rei que governa essa nação", disse ela no culto.

Michelle também pediu orações pelo Brasil e voltou a falar em “guerra do bem contra o mal” nessas eleições. Já Bolsonaro afirmou que a função que ocupa “é uma missão de Deus”. 

Edição: Vivian Virissimo