Papo na laje

Repressão faz parte da rotina de vendedores ambulantes no RJ: "Ser camelô é um trabalho digno"

Programa desta semana conversa com trabalhadores sobre a luta dos camelôs no centro do Rio de Janeiro

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |
Talita Cândida e André Luis reclamaram que falta transparência na distribuição de licenças para os camelôs no Rio - Stefano Figalo/Papo na Laje

O programa Papo na Laje foi até o morro da Nova Divineia, no Grajaú, Zona Norte do Rio de Janeiro, conversar sobre a luta dos vendedores ambulantes na cidade.

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Nele, Talita Cândida, de 30 anos, conta que ainda não conseguiu autorização da Prefeitura do Rio para trabalhar. Mesmo assim, ela roda a cidade com a "Barraca da Tatá" em eventos.

"Só eu sei quantas vezes tive que sair correndo, puxando carrinho pesado com meus filhos para não perder minha mercadoria para a guarda municipal. Ser camelô é um trabalho digno, não tenho vergonha nenhuma disso. É o sustento dos meus filhos", relatou Talita que é mãe de duas crianças. 

Assim como ela, a repressão também já fez parte da rotina do vendedor ambulante André Luis antes dele conseguir a licença para sua barraca de comida nordestina na Lapa, em 2008.

Hoje, ele é um dos coordenadores do Movimento Unido dos Camelôs (MUCA) que organiza a categoria em prol de direitos e distribuiu cestas básicas para os trabalhadores na pandemia.

"É um processo muito burocrático conseguir licença na prefeitura. Tem mais de 60 mil pessoas na fila de espera, não tem transparência. Enquanto isso, os trabalhadores estão na rua perdendo mercadoria", disse André Luis.

No programa, ele disse que na pandemia muitas pessoas recorrem às ruas como única opção de sustento. "A prefeitura quer reviver o centro mas quer excluir os trabalhadores. Camelô ainda é visto como marginal, mas está na rua defendendo seu ganha pão", completou André que também é militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Direito.

O "Reviver Centro" é um projeto da Prefeitura do Rio que pretende revitalizar da região. Os trabalhadores argumentam que o poder público quer remover os camelôs e a população em situação de rua do local.  A Secretaria de Ordem Pública (SEOP) não respondeu ao Brasil de Fato sobre os questionamentos apontados pelos camelôs a partir do projeto. 

O programa Papo na Laje é transmitido na TV Comunitária do Rio de Janeiro, canal 6 da NET, e no canal do YouTube do programa, todas as quintas, às 18h. A partir desta temporada também é possível assistir em toda Grande São Paulo no canal aberto digital da TVT, também as quintas, às 20h.

Assista:

 

Fonte: BdF Rio de Janeiro

Edição: Mariana Pitasse