R$ 0,25 a menos

Petrobras anuncia 4ª queda da gasolina em semestre de eleição presidencial

Estatal anuncia reduções sucessivas de combustíveis enquanto Bolsonaro tenta reeleição

Brasil de Fato | Curitiba (PR) |

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Petrobras reduz preços em série às vesperas das eleições de outubro - pxhere

A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (1) que vai baixar em mais 7% o preço da gasolina vendida pela empresa em suas refinarias. Esta é a quarta redução do combustível anunciada pela estatal neste semestre, período em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) vai disputar a eleição presidencial, marcada para outubro.

A redução dos preços vale a partir de sexta-feira (2). Antes, a Petrobras já havia anunciado duas reduções em julho e uma em agosto.

Apesar disso, o preço da gasolina vendida pela Petrobras a distribuidores seguirá cerca de 5% mais cara do que a vendida hoje no mercado internacional, de acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Também será cerca 6,1% mais cara do que a vendida pela estatal no início do ano.

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O combustível começou o ano vendido a R$ 3,09 por litro nas refinarias. Foi reajustado com o passar dos meses e atingiu R$ 4,06 em junho.

Em julho, baixou para R$ 3,71. Em agosto, chegou a R$ 3,53. A partir de sexta, o combustível será vendido em R$ 3,28 –R$ 0,25 a menos.

Segundo a Petrobras, considerando a mistura obrigatória de 73% de gasolina e 27% de etanol anidro para a composição da gasolina comercializada nos postos, a parcela da empresa no preço ao consumidor passará de R$ 2,57 para R$ 2,39 por litro do combustível vendido na bomba, em média.

A Petrobras disse que a queda anunciada nesta quinta tem a ver com oscilações do mercado de combustíveis e da cotação do dólar. "Essa redução acompanha a evolução dos preços de referência e é coerente com a prática de preços da Petrobras, que busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio", informou a companhia, em seu novo comunicado sobre a redução.

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) ligou a redução à campanha de reeleição de Bolsonaro. “Às vésperas das eleições, a estratégia eleitoreira do presidente da República é anunciar pequenas e sucessivas reduções de preços dos combustíveis. A política de preços agora é determinada pelas lives de quinta-feira e pelas pesquisas eleitorais”, declarou o coordenador-geral da entidade, Deyvid Bacelar.

O economista Eric Gil Dantas, do Observatório Social do Petróleo (OSP), ratificou que a Petrobras continuará vendendo gasolina mais cara que a importada. A redução anunciada, portanto, agrada dois lados: o do presidente, que candidato à reeleição, e do o acionista da estatal que continuará lucrando com altos preços dos combustíveis.

Redução antes de eleição

O preço dos combustíveis da Petrobras vinha sendo motivo de reclamações do presidente Jair Bolsonaro (PL) para a gestão da estatal. Apesar de nunca ter agido para alterar a política de preços da Petrobras, Bolsonaro demitiu dois presidentes da empresa neste ano.

Bolsonaro também encampou uma série de projetos para redução do preço dos combustíveis meses antes da eleição: cortou impostos federais sobre a gasolina e pressionou os estados a reduzir o Imposto Sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) cobrados sobre todos os combustíveis.

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Só a desoneração, segundo o governo, deveria reduzir em 24% o preço médio da gasolina no país a partir deste mês ante ao preço do mês passado.

Com a queda da gasolina nas refinarias, a redução será ainda maior.

Campeão em aumentos

Desconsiderando essas reduções recentes, o governo Bolsonaro é campeão em aumentos da gasolina, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O preço do combustível acumulou em seu governo, até junho, uma alta semelhante à registrada durante os mais de 13 anos em que membros do Partido dos Trabalhadores (PT) presidiram o país.

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De janeiro de 2019 – quando Bolsonaro assumiu à Presidência – a junho de 2022, a gasolina subiu 69%, segundo dados da ANP tabulados pelo Observatório Social do Petróleo (OSP).

Já de janeiro de 2003 – quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomou posse – a maio de 2016 – mês em que a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) foi afastada por conta do processo de impeachment –, o preço subiu 72%.

Edição: Rodrigo Durão Coelho