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PAPO DE SÁBADO

“Trazer o coração de D. Pedro I agride o espírito republicano”, critica historiadora

Para Claudia Wassermann, vinda do coração do antigo monarca ofende as conquistas democráticas e os interesses coletivos

03.set.2022 às 15h32
Porto Alegre
Ayrton Centeno

"Simbolicamente o governo afirma que o coração do Brasil está no exterior, na metrópole, e não nas classes populares", afirma Claudia Wassermann - Foto: Reprodução IFCH/UFRGS

O grande acontecimento do Bicentenário da Independência no próximo 7 de Setembro é a visita ao Brasil do coração de D. Pedro I, embebido em formol desde sua morte por tuberculose em 1834. “Trazer o coração do monarca português traz o passado para o presente, simboliza esta elite e este governo que enaltece a ideia de monarquia em oposição à ideia de república”, questiona a historiadora Claudia Wassermann, doutora em História Social pela UFRJ e professora titular da UFRGS. Trata-se, para ela, de uma atitude “extremamente colonialista”.

Com dezenas de livros, artigos e capítulos publicados, escreveu História da América Latina. Cinco Séculos, Teoria da Dependência: do Nacional-desenvolvimentismo ao Neoliberalismo e História Contemporânea da América Latina/1900-1930. Nesta conversa com Brasil de Fato RS, Claudia responde sobre o legado da independência, notando que a economia continuou dependente, o país, escravista, e a elite manteve a atitude autoritária, excludente, racista e admiradora da cultura europeia.


Coração de D. Pedro I foi trazido ao Brasil para a comemoração dos 200 anos da independência / Reprodução/Youtube/Irmandade da Lapa

Brasil de Fato RS – Dois séculos após a independência, o Brasil continua sendo um país profundamente desigual, injusto e violento. Era e continua sendo racista e excludente. O que existe para celebrar neste 7 de Setembro quando se completam 200 anos da independência?

Claudia Wassermann – As datas comemorativas, inseridas no calendário oficial de um país, são momentos que permitem trazer o passado para o presente, através de símbolos, alegorias, emblemas, slogans, insígnias e rituais públicos que permitem esta transposição. As comemorações, planejadas pelos governos, trazidas ao público pelos meios de comunicação e incluídas nos calendários escolares, procuram transmitir sentimentos de pertencimento e afirmar uma identidade coletiva. Entretanto, essas comemorações não têm o mesmo sentido para todos, estão sujeitas a conflitos e debates.

BdF RS – Enquanto outras nações latino-americanas se livraram dos monarcas, o Brasil manteve-se como um império até quase sete décadas após o Grito do Ipiranga. Em que medida esta condição definiu o Brasil que hoje temos?

Claudia – A independência política em 1822 não trouxe grandes transformações econômicas e sociais para o país. A economia continuou extremamente dependente e, socialmente, o país continuou escravista. A elite, herdeira do período colonial, manteve a atitude autoritária, excludente, racista, admiradora da cultura europeia.

Ao trazer o coração de D. Pedro, afirma-se que o coração do Brasil está no exterior e não nas classes populares

BdF RS – O grande astro – se é que podemos chamar assim – dos 200 anos é o coração de D. Pedro I embebido em formol. O governo Bolsonaro bancou as despesas para trazer a atração mas não revela quanto gastou. A seu ver qual é o sentido de transferir o coração do monarca de Portugal para o Brasil?

Claudia – Trazer o coração do monarca português traz o passado para o presente, simboliza esta elite e este governo que enaltece a ideia de monarquia em oposição à ideia de república. República significa “coisa pública”, servir aos interesses do coletivo público em detrimento dos interesses privados. A república, ainda que tenha nascido por intermédio das elites oligárquicas, permitiu a constituição do Estado Democrático de Direito.

Trazer o coração da monarquia, além de escatológico, agride o espírito republicano, as conquistas democráticas e os interesses coletivos. Além disso, sendo o coração o órgão que simboliza o centro do corpo, que possibilita a vida, simbolicamente o governo afirma que o coração do Brasil está no exterior, na metrópole, e não nas classes populares, nos povos originários, nos negros trazidos à força para o Brasil, nas mulheres, nos movimentos sociais, nos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras. É uma atitude extremamente colonialista.

As elites estão bem representadas no governo subserviente que enaltece o que vem de fora e despreza o que é próprio

Neste sentido, as elites brasileiras estão bem representadas no atual governo que enaltece tudo o que vem de fora, é subserviente aos países centrais do capitalismo, e despreza tudo que é próprio e autêntico em nosso país.

BdF RS – Os 100 anos da independência foram comemorados ainda em um país de economia basicamente agrária. Depois, vieram a Revolução de 1930, o período getulista e o começo da industrialização. Que prosseguiu com Juscelino e mesmo com a ditadura de 1964. Agora, porém, o Brasil ostenta novamente uma economia dependente da extração de minérios e da agricultura de exportação. Em vez de avançarmos estamos retrocedendo no tempo?

Claudia – De 2016 para cá houve retrocesso de todas essas conquistas, o autoritarismo retornou com força e a elite brasileira, herdeira do colonialismo reafirma as mesmas atitudes excludentes, racistas, preconceituosas e violentas na direção das classes populares e dos movimentos sociais.

BdF RS – Em 1972, ano do sesquicentenário da Independência, o Brasil vivia o auge da repressão. Era o período Médici, o mais sanguinário da ditadura de 1964, e o evento alimentou o ufanismo, como ocorreu com a exposição do centenário em 1922 e como ocorre agora. Todas as datas servem sempre para uma leitura oficial, muito publicitária e pouco crítica do episódio. Qual a sua opinião?

Claudia – As comemorações oficiais, que são amplamente divulgadas pela grande mídia têm como contraponto a crítica acadêmica, dos intelectuais, de uma parte da imprensa, dos povos indígenas, do movimento negro, dos trabalhadores e trabalhadoras. Os ataques do atual governo às universidades, à ciência, à educação básica e aos movimentos sociais impedem que o pensamento crítico em relação ao processo de independência ecoe tanto quanto a narrativa oficial.

BdF RS – O ano de 1922 foi cheio de acontecimentos marcantes, como a Semana de Arte Moderna, a Revolta do Forte de Copacabana, a fundação do Partido Comunista. Na comparação com 1922, parece que 2022 vai sair perdendo. Ou ainda indicará um novo caminho?

Claudia – Nas outras comemorações – centenário, sesquicentenário – o país estava sob domínio do autoritarismo, oligárquico em 1922 e militar em 1972. A condição de periferia do sistema capitalista impediu que o país avançasse economicamente, mesmo com processo de industrialização que de fato ocorreu a partir do final do século XIX até os anos 1950, mas sempre como complementar ao centro do capitalismo e dependente. Com a redemocratização, sobretudo entre o final dos anos 1990 e 2016, políticas públicas de transferência de renda, estímulos à industrialização, ao consumo das classes populares e investimentos na educação pública fizeram diminuir a desigualdade e uma política externa colocou o Brasil em melhores condições diante dos parceiros internacionais.


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Editado por: Marcelo Ferreira
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