Massacre

"Há uma articulação geral de perseguição às lideranças", diz o indígena Agnaldo Pataxó Hãhãhãe

Povo pataxó relata recorrência de disparos de armas de povo em seu território, localizado no sul da Bahia

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O aumento da violência contra os povos indígenas é uma das consequências da política do governo Bolsonaro - Tiago Miotto
Nós estamos vivendo sob ataques. E não é de agora

A situação extrema de violência sofrida pelos povos originários no Brasil segue em pauta no programa Bem Viver. Nesta quinta-feira (22), a edição aborda os casos na Bahia, 2º estado do país com maior número de assassinatos de povos originários, segundo relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

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Só neste mês de setembro, o povo pataxó relatou cenários de tiros a esmo em dois territórios. No dia 4 de setembro, uma série de disparos sem identificação da autoria tirou a vida de Gustavo da Silva Conceição, jovem indígena Pataxó de apenas 14 anos, na Terra Indígena (TI) Comexatibá. Na madrugada do dia 12, na Terra Indígena (TI) Barra Velha, também território Pataxó no sul da Bahia, a população local relata disparos de armas de grosso calibre que, em tese, só poderiam ser utilizadas pelo exército e pela polícia militar. Até o momento, nenhum suspeito foi preso ou mesmo indiciado.

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“Nós estamos vivendo sob ataques. E não é de agora. Desde 2013, quando a aldeia Kaí fez uma retomada às margens da BR 001 que corta de Cumuruxatiba a Corumbau que nós começamos a sofrer ataques, referente a pistolagem. A gente vem sofrendo com essa situação, às vezes os ataques de uma forma mais branda, mas às vezes de uma forma muito mais violenta. E hoje nós lutamos tanto judicialmente, quanto com forças físicas pra gente se manter dentro do nosso território”, conta Ricardo Pataxó, uma das lideranças do território, ao BdF Bahia

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Gustavo é uma das vítimas da violência contra o povo Pataxó no sul da Bahia / Reprodução

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De acordo com o CIMI, o povo Pataxó está entre os mais agredidos pelo avanço criminoso de invasores sobre suas terras. A afirmação consta no relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil — Dados de 2021, lançado em agosto. Segundo o relatório, a violência resultou em 14 assassinatos em 2021 na Bahia, número menor apenas do que o do estado do Mato Grosso do Sul.

O coordenador geral do Movimento Unido dos Povos Organizados Indígenas da Bahia (Mupoiba), o cacique Agnaldo Pataxó Hãhãhãe, explica que os conflitos na região sul do estado se dão muito pela pressão do avanço do agronegócio e das milícias armadas. “Uma violência muito grande, porque naquela região do extremo sul tem as grandes empresas de eucalipto, além de grandes monoculturas de café e outras. E isso tem avançado sobre as terras indígenas”, explica o coordenador do Mupoiba. 

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Cacique Agnaldo lembra ainda que a violência contra os povos indígenas não é uma novidade no estado. “Na região do extremo sul, tem uma tradição de pistolagem, de perseguição a lideranças, como em Belmonte, à cacica Kátia. E aos Pataxós, que ao longo do tempo vêm sofrendo essa perseguição. Em 1951 teve um fogo que tentou acabar com a aldeia Barra Velha, quase dizimou o povo. E de lá pra cá, não foi diferente, muitas lideranças presas, muito envolvimento de milícias, de fazendeiros, de pistoleiros. Então, o avanço sobre as terras dos parentes naquela região sul é muito grande”, conta. 


Retomada em área do território de Comexatibá, em junho desse ano - Povo Pataxó

Ele explica que, no estado da Bahia, há 30 povos indígenas, que agregam cerca de 60 mil pessoas. E que o avanço do agronegócio sobre as terras indígenas não acontece apenas na região sul do estado. “A realidade nossa na Bahia é cruel. Há uma articulação geral de perseguição às lideranças, não demarcação de terras indígenas e incentivo do atual presidente para invadir todas as terras indígenas. No oeste da Bahia, por exemplo, temos uma realidade muito complexa, porque lá nós temos o agronegócio implantado, destruindo toda a mata nativa e todos os rios”, conta Agnaldo Pataxó Hãhãhãe.

Mais denúncias

Na edição da quarta (21), o Bem Viver entrevistou o secretário-executivo do Observatório do Clima Marcio Astrini, que analisou a participação de Jair Bolsonaro (PL) na abertura da 77ª Assembleia Geral da ONU durante a semana.  

Para Astrini, o contexto de violência contra os povos do campo, das águas e das florestas é consequência da política ambiental do governo Bolsonaro.

"Não é só de derrubada de árvores que estamos falando. Há um aumento de violência no campo. As populações indígenas estão sendo vítimas de um verdadeiro massacre, promovido pelo governo federal, e liderado pelo Presidente da República. Tanto que os indígenas denunciaram o Bolsonaro no Tribunal de Haia por crimes contra a humanidade", ressaltou ressaltando que os valores das multas ambientais não estão cobrados e o orçamento para o setor ambiental sofreu cortes consideráveis. 

Confira também

No quadro BdF Entrevista, o jornalista Jamil Chade, colunista do portal de notícias UOL, aborda o lançamento do livro "Ao Brasil, com amor", escrito em parceria com a jornalista Juliana Monteiro. A obra é constituída de uma troca de carta entre os dois correspondentes internacionais sobre a busca por entendimentos durante a pandemia de covid-19 no Brasil e os desastres sociais que se seguiram. 

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Edição: Daniel Lamir