Mostrar Menu
Brasil de Fato
ENGLISH
Ouça a Rádio BdF
  • Apoie
  • TV BdF
  • RÁDIO BRASIL DE FATO
    • Radioagência
    • Podcasts
    • Seja Parceiro
    • Programação
  • Regionais
    • Bahia
    • Ceará
    • Distrito Federal
    • Minas Gerais
    • Paraíba
    • Paraná
    • Pernambuco
    • Rio de Janeiro
    • Rio Grande do Sul
  • I
  • Política
  • Internacional
  • Direitos
  • Bem Viver
  • Opinião
  • DOC BDF
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Mostrar Menu
Brasil de Fato
  • Apoie
  • TV BDF
  • RÁDIO BRASIL DE FATO
    • Radioagência
    • Podcasts
  • Regionais
    • Bahia
    • Ceará
    • Distrito Federal
    • Minas Gerais
    • Paraíba
    • Paraná
    • Pernambuco
    • Rio de Janeiro
    • Rio Grande do Sul
Mostrar Menu
Ouça a Rádio BdF
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Brasil de Fato
Início Geral

geração de energia

A matriz elétrica e a decisão que vai impactar 200 milhões de brasileiros

Mais energia eólica ou mais termelétricas a carvão? Decisão deve ser feita pelo futuro presidente do país

08.out.2022 às 18h57
Roberto Rockmann
|Repórter Brasil
energia

Vice-presidente da comissão de Minas e Energia da Alerj afirmou que os problemas com a Enel vão além do Noroeste fluminense - Pixabay

O futuro presidente terá uma decisão a ser tomada sobre a eletricidade que chega a 200 milhões de brasileiros em cerca de 90 milhões de pontos de luz nas cinco regiões do país. A expansão da capacidade de geração se baseará em fontes renováveis – como eólicas, solares e biomassa de cana de açúcar – ou o país assistirá ao aumento da participação de termelétricas a diesel, gás natural, carvão e fontes nucleares?

A resposta terá impacto sobre o bolso e os pulmões da população em um momento em que os combustíveis fósseis ganham espaço no mundo diante da guerra entre Ucrânia e Rússia. 

Nas últimas duas décadas, o setor elétrico brasileiro assistiu a uma transformação. Em junho de 2001 – quando o país adotou um racionamento de energia que reduziu em 20% o consumo médio em residências e indústrias – 90% da geração do país vinha de hidrelétricas e cerca de 10% de térmicas. O medo de uma nova crise impôs mudanças e levou ao aumento do uso de fontes térmicas, como gás natural, diesel, que são mais caras e poluentes. 

Estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), divulgado neste ano, apontou que a fonte térmica é aquela com a segunda maior participação na capacidade instalada, com crescimentos mais significativos de 2002 a 2004, de 2008 a 2016. Segundo a análise, “Após o período do racionamento de energia elétrica em 2001, houve um pico de crescimento da capacidade instalada das fontes térmicas de 9.075 MW de 2002 a 2004. Entre 2008 e 2016, cerca de 20 GW adicionais de térmicas foram contratados.” 

O número irá crescer em razão de decisões do Congresso que impuseram a contratação de 8 GW de térmicas a gás natural e a extensão de subsídios até 2040 para usinas a carvão. A expansão da camada pré-sal, em que quando se extrai óleo vem associado a gás, também poderá se refletir na decisão de uso maior das térmicas com base nesse insumo, o que criará uma pergunta: o gás irá para térmicas ou para a indústria?

Hoje, as hidrelétricas respondem por cerca de 60% da eletricidade do país. Eólicas e solares – que há 20 anos, geravam menos de 1% do que o Brasil consumia – hoje representam cerca de 20%. O gás natural também ganhou espaço: hoje cerca de 10% da capacidade instalada no país é de termelétricas com base no insumo, sendo que na estiagem do ano passado, quando a palavra racionamento voltou a ser discutida, essas usinas chegaram a responder por 25% da eletricidade consumida no país. Lenha, carvão e nucleares respondem por outros 3%. 

O desenho da matriz dos próximos 10, 20, 30 anos está sendo decidido agora.

Saber qual fonte terá avanços implica entender particularidades de cada uma delas. O avanço de fontes variáveis como eólicas e solares implica esse questionamento. No jargão do setor, elas são consideradas fontes não despacháveis. O que isso significa? Que elas não podem ser despachadas a qualquer momento, uma depende da força dos ventos, que geralmente é mais forte de madrugada; outra depende do sol. Para que o sistema opere com mais segurança e flexibilidade, ganha corpo o debate sobre quais fontes poderão ser despacháveis, ou seja, poderão ser imediatamente despachadas para atender à demanda de casas, indústrias e supermercados.

Estudo ainda em andamento da PSR, mais reputada consultoria do setor elétrico, feito para o Banco Mundial, mostra que o Brasil poderia expandir sua base de forma mais competitiva apenas com o avanço das renováveis, reduzindo ainda mais a pegada de carbono do setor elétrico e trazendo mais competitividade no preço, caso fosse essa a decisão tomada. Mas a expansão de fontes variáveis exigiria avanços regulatórios. Um deles é que as hidrelétricas fossem remuneradas por um outro serviço além de gerar energia. Seus reservatórios são essenciais para planejar o sistema e para que essas usinas ofereçam previsibilidade.

“Essa maior presença exigirá que as hidrelétricas sejam remuneradas por um serviço que elas prestam como baterias de armazenamento”, destaca o presidente da consultoria, Luiz Barroso, em entrevista à Repórter Brasil. Hoje parte do custo da expansão via renováveis é feita com a cobrança de Encargos Serviços do Sistema (ESS), parando no colo do consumidor. “Se a decisão for feita só com renováveis, parte desse custo teria de ir para as renováveis.” 

As mudanças climáticas têm trazido desafios. A incerteza cada vez maior na operação do sistema exige ferramentas extras, conforme disse à reportagem o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi. Uma delas seria a criação de um programa estrutural de resposta da demanda dos grandes consumidores, que teriam a opção de deslocar sua produção para horários em que a energia é mais barata. Hoje o horário de ponta do sistema é à tarde, com o acionamento de ar-condicionado nos escritórios. “Seria mais barato que acionar térmica no atendimento da ponta”, afirma. O programa deverá fazer sua estreia em breve no país.

Os efeitos climáticos estão se tornando mais extremos, o que cria mais variações sobre o sistema. O crescente uso múltiplo das águas traz desafios para o planejamento e para a operação do sistema elétrico e pode levar a uma postura mais conservadora em ambos. Isso leva a reflexões. “Se eu tenho mais dificuldade para fechar a torneira do sistema, então talvez seja preciso guardar mais água no reservatório porque, se vier hidrologia muito ruim, eu tenho um estoque maior.  Tem duas estratégias: ou eu guardo mais água preventivamente ou eu trabalho para aprimorar a gestão e governança do uso múltiplo de águas”, afirma Thiago Barral, presidente da Empresa de Pesquisas (EPE), órgão estatal de planejamento. 

Uma outra opção para assegurar potência ao setor são as termelétricas a gás natural. Hoje mais de 70% da produção de gás natural ocorre no mar, sendo 86% dela associada ao petróleo. Essa característica requer uma demanda firme para o gás natural, sob o risco de comprometer a curva de produção de petróleo projetada para dobrar até o final da década, diz Adriano Pires, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura e que foi assessor da diretoria da Agência Nacional do Petróleo. Portanto, para o gás nacional associado – seja ele em terra ou no mar – ser competitivo seria preciso uma demanda firme que para existir necessita de âncoras como térmicas inflexíveis e expansão da infraestrutura de gasodutos. Isso permitiria expansão da oferta nacional e menor dependência de importações.

Para ele, a Lei 14.182, que autorizou privatização da Eletrobras, também implicou a contratação de 8.000 MW de termelétricas movidas a gás natural denominadas inflexíveis, com níveis de fator de capacidade de 70% a partir de 2026. Isso significa que 5.600 MW dessas termelétricas serão despachadas continuamente a partir de 2026, independentemente da quantidade de chuvas, sejam elas em excesso ou em falta. Ele pondera que, com isso, o nível dos reservatórios será recuperado ano após ano, reduzindo o déficit histórico e lidando melhor com futuras crises hídricas. 

Nesse debate, há ainda dois pontos a se considerar: preço e meio ambiente. As térmicas podem ser uma solução mais cara. Para garantir a oferta de eletricidade ano passado, em plena crise hídrica, despacharam-se usinas que cobram R$ 2,4 mil por megawatt, caso da termelétrica de William Arjona, em Campo Grande (MS). Eólicas e solares geram a partir de R$ 120 o MWh. O parque termelétrico brasileiro conta com muitas usinas antigas, que gastam mais combustível para produzir menos energia.

Segundo problema: as emissões de poluentes. Estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente aponta que a geração das usinas termelétricas aumentou de 30,6 TWh em 2000 para 84,8 TWh em 2020, quase o triplo. Isso teve impacto sobre a poluição. De acordo com a análise, “consequentemente, o total de emissões de gases de efeito estufa (GEE) no setor elétrico brasileiro aumentou 90% entre 2000 e 2020”. 

As emissões irão crescer, já que, para entre 2026 e 2030, há a previsão da instalação de 8 GW em termelétricas a gás espalhadas em todas as regiões do Brasil e com a postergação de subsídios e da vida útil de usinas a carvão mineral até 2040. “O contexto atual do setor elétrico apresenta elevados riscos para os planos de descarbonização rumo a uma matriz 100% renovável, bem como para a melhoria da qualidade do ar no país. Infelizmente, o que temos visto é o país caminhar na direção oposta, com a expansão da operação de usinas termelétricas fósseis”, alerta André Luis Ferreira, diretor-executivo do Iema.

O uso do gás natural para energia tem outra implicação. O gás do pré-sal ganhou importância estratégica em um momento em que o insumo bate recordes na Europa. A guerra entre Ucrânia e Rússia fez os russos reduzirem o envio de gás para a União Europeia. Responsável pelo abastecimento de um terço da energia no bloco, o insumo da Rússia era vital para assegurar o aquecimento das casas e a energia nas linhas de produção. Sem ele, o racionamento deve ser adotado em muitos países europeus. A escassez fez os preços do gás natural subirem mais de seis vezes em relação ao período antes da invasão russa à Ucrânia.

Importar gás nos próximos 3 a 5 anos será custoso, uma vez que a dependência histórica europeia com a Rússia não se esgotará em dias ou meses. O gás do pré-sal, que está associado ao óleo extraído, pode ir para a energia ou para a indústria. “O gás caro é um dos obstáculos da indústria brasileira”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Vidro (Abividro), Lucien Belmonte.

Conteúdo originalmente publicado em Repórter Brasil
Tags: eletrobras
loader
BdF Newsletter
Escolha as listas que deseja assinar*
BdF Editorial: Resumo semanal de notícias com viés editorial.
Ponto: Análises do Instituto Front, toda sexta.
WHIB: Notícias do Brasil em inglês, com visão popular.
Li e concordo com os termos de uso e política de privacidade.

Veja mais

Apagamento

Corpos esquecidos: só 6 das 27 capitais contabilizam mortes de pessoas em situação de rua

Artigo

Pobreza na primeira infância cai de 82% para 1,1% no terceiro governo Lula

Negócio milionário

Ibama multa seis frigoríficos por compra de gado de áreas de desmatamento ilegal na Amazônia

DENÚNCIA

Relatório aponta contradições em ‘lítio verde’ da Sigma Lithium financiado pelo BNDES em MG

ALA LGBT+

Influenciadores Hytalo Santos e Euro são transferidos para o presídio do Róger em João Pessoa (PB)

  • Quem Somos
  • Publicidade
  • Contato
  • Newsletters
  • Política de Privacidade
  • Política
  • Internacional
  • Direitos
  • Bem Viver
  • Socioambiental
  • Opinião
  • Bahia
  • Ceará
  • Distrito Federal
  • Minas Gerais
  • Paraíba
  • Paraná
  • Pernambuco
  • Rio de Janeiro
  • Rio Grande do Sul

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Apoie
  • TV BDF
  • Regionais
    • Bahia
    • Ceará
    • Distrito Federal
    • Minas Gerais
    • Paraíba
    • Paraná
    • Pernambuco
    • Rio de Janeiro
    • Rio Grande do Sul
  • Rádio Brasil De Fato
    • Radioagência
    • Podcasts
    • Seja Parceiro
    • Programação
  • Política
    • Eleições
  • Internacional
  • Direitos
    • Direitos Humanos
  • Bem Viver
    • Agroecologia
    • Cultura
  • Opinião
  • DOC BDF
  • Brasil
  • Cidades
  • Economia
  • Editorial
  • Educação
  • Entrevistas
  • Especial
  • Esportes
  • Geral
  • Saúde
  • Segurança Pública
  • Socioambiental
  • Transporte
  • Correspondentes
    • Sahel
    • EUA
    • Venezuela
  • English
    • Brazil
    • BRICS
    • Climate
    • Culture
    • Interviews
    • Opinion
    • Politics
    • Struggles

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.