"PADRÃO BOLSONARO"

Amazônia: queimadas em 2022 já superam em 33% o acumulado do ano passado

Devastação segue em ritmo acelerado, mas vitória eleitoral de Lula traz sinalizações positivas para o bioma

Brasil de Fato | Lábrea (AM) |

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Dados do Inpe apontam que o mês de outubro registrou 13.911 focos de queimadas na Amazônia - Christian Braga/Greenpeace

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de terça-feira (1º) apontam que o mês de outubro registrou 13.911 focos de queimadas na Amazônia, um aumento de 20,4% em relação ao mesmo mês do ano passado.  

Faltando dois dias para encerrar outubro, o acumulado anual já registrava 100 mil focos de queimadas, número 33% maior do que foi registrado em todo 2021.

“É icônico que um dia antes do 2° turno das eleições foram atingidos mais de 100 mil focos de calor na Amazônia. Isso é o reflexo de todo o descaso do atual governo com a floresta e seus povos", afirmou Rômulo Batista, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil.

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O maior número de queimadas em outubro foi no estado do Pará com 7.469, o equivalente a 54% de todos os incêndios. Na sequência vêm Amazonas, com 1.503 (11% do total), Maranhão (9%), Acre (8%) e Mato Grosso (6%). No acumulado de 2022, 101.215 focos de queimadas foram registrados.

Segundo ele, os números refletem o “padrão Bolsonaro” de destruição e são resultado de uma política de desenvolvimento que baseada no usufruto predatório dos recursos naturais, sem preocupação com o agravamento da crise climática. 

"Agora com um novo governo eleito continuaremos trabalhando e cobrando, como fizemos durante todos os governos anteriores, para que a Amazônia, nossa maior riqueza seja protegida, seus povos respeitados e que a paz seja soberana na floresta", afirmou o porta-voz do Greenpeace. 

Sinalizações positivas 

Para a entidade, o principal desafio da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na área ambiental será desfazer os retrocessos sem precedentes promovidos por Jair Bolsonaro (PL). As prioridades devem ser projetos que detenham a grilagem de terras públicas e que promovam desenvolvimento sustentável. 

Nesta semana, os dois países europeus que financiam o Fundo Amazônia, principal política financeira de preservação do bioma, sinalizaram que vão voltar a injetar recursos. A financiamento foi interrompido por causa do desmonte das políticas ambientais no governo Bolsonaro. 

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Lula decidiu comparecer à conferência da ONU sobre mudanças climáticas, a COP27, que acontecerá entre 7 e 18 de novembro no Egito. O petista foi convidado pelo governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), presidente do Consórcio de Governadores da Amazônia Legal.

Edição: Vivian Virissimo