Cooperativismo

Conheça a produção orgânica de óleo de babaçu em Lago do Junco (MA)

A agroindústria da COPPALJ tem capacidade para refinar cerca de cinco toneladas de óleo por dia

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O óleo orgânico de babaçu fortalece hoje uma cadeia de conservação das florestas de e a manutenção dos modos de vida tradicionais no território maranhense - Divulgação
É muita gratidão saber que toda a nossa luta, o nosso sofrimento não foi em vão

Fruto de palmeira nativa da região Norte e áreas do Cerrado, o babaçu está concentrado nos estados do Tocantins, Piauí e Maranhão. Mas é no município maranhense de Lago do Junco, com pouco mais de 10 mil habitantes, que se concentram mais de 60 toneladas de amêndoas de babaçu todos os meses.

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É lá que o coco de babaçu se tornou símbolo de liberdade, com a proibição de derrubada das palmeiras e livre acesso de quebradeiras aos babaçuais.

Na região, a figura do atravessador foi extinta, dando lugar a cooperativas que atuam na compra direta de amêndoas das quebradeiras de coco, por preços mais justos, para o beneficiamento de outros produtos. 

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O produto de maior destaque é o óleo de babaçu orgânico, produzido pela Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Lago do Junco (COPPALJ), criada em 1991.

“Para nós, o reconhecimento, a luta, a valorização do produto, o crescimento econômico e a qualidade de vida das pessoas que a gente tem visto no dia a dia é fantástico. O que a gente queria, dentro dessa cooperativa, com esses trabalhadores rurais, é que a gente fizesse essa parte de comercializar, e fazer com que eles tomassem de conta dessa gestão, que é o mais importante”, afirma o presidente da cooperativa, Raimundo Ermínio. 

A agroindústria da COPPALJ tem capacidade para refinar cerca de cinco toneladas de óleo por dia, considerada a última etapa para atender aos mercados alimentício e fármaco.

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Desde o processo de coleta até o beneficiamento do óleo, é gerada uma renda direta para mais de 900 famílias de quebradeiras de coco babaçu da região e, indiretamente, para mais de 2 mil famílias.

Renda que aumentou, quando a cooperativa conquistou o certificado do óleo pela IBD, a maior certificadora de produtos orgânicos e sustentáveis da América Latina.

"Com o selo que veio a valorização do nosso babaçu, porque antes a gente quebrava dez quilos de coco para comprar um de arroz, hoje nós trocamos um quilo de coco por um de arroz e ainda sobra. Essa valorização veio com muita luta, mas a questão do selo melhorou bastante a nossa renda familiar”, alega a quebradeira de coco Maria das Dores. 

O selo garantiu que o óleo maranhense pudesse ser comercializado em países como Holanda, Alemanha, Inglaterra e França.
Por aqui, ele tem destaque em exposições, nas prateleiras de orgânicos e também nos Armazéns do Campo, espaços de comercialização do MST espalhados pelo país.

“Acompanhar o reconhecimento de um produto orgânico, fruto do trabalho das quebradeiras de coco aqui da região, e esse produto sendo vendido a nível internacional, é um prazer, é um orgulho. É muita gratidão saber que toda a nossa luta, o nosso sofrimento não foi em vão”, destaca Conceição Maria, quebradeira de coco e uma das diretoras da cooperativa é uma das beneficiadas. 

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Por meio da luta para acesso livre aos babaçuais, o comércio justo e solidário, o óleo orgânico de babaçu fortalece hoje uma cadeia de conservação das florestas de e a manutenção dos modos de vida tradicionais no território maranhense. 

Edição: Daniel Lamir