POLÊMICA

Entenda o caso de deputado paraibano que acusou Bolsonaro de agredir Michelle

Ex-aliado e coordenador de campanha de Bolsonaro em 2018, Julian Lemos também já foi denunciado por violência doméstica

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Julian Lemos foi eleito na Paraíba em 2018 como “o federal do Bolsonaro” | Crédito: Reprodução/Instagram @julianlemosdeputadofederalpb

Nesta terça-feira (8), o deputado federal Julian Lemos (União Brasil) foi manchete de jornais e sites jornalísticos em todo o país. O motivo foi a acusação feita, sem provas, pelo parlamentar de que o presidente Jair Bolsonaro (PL), seu ex-aliado político, teria agredido a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Em entrevista ao podcast Arretado no dia 1º de novembro, dois dias após a derrota de Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela presidência da República, Lemos afirmou que a relação do presidente e a primeira-dama seria apenas “de fachada”. “Ela não aguenta nem ver ele”, ressaltou o deputado.

Lemos, que chegou a ser coordenador de campanha de Bolsonaro nas eleições de 2018, acrescentou que, em 2020, o presidente teria batido em Michelle após ela ter realizado um procedimento estético  de implante de silicone.

"Ele [Bolsonaro] deu uns tapas nela, nas primeiras férias dele, que ele foi pra uma ilha. Ela foi colocar um silicone e ele deu uns tapas nela dentro de casa. E agora deu outros empurrões nela de novo", afirmou.

O deputado ainda disse que a primeira-dama não compareceu ao discurso do marido após a derrota nas eleições porque estaria “toda marcada”.

“Não estava porque ela estava toda marcada. Manda ela aparecer aí…" provocou o parlamentar, que ainda finalizou referindo-se a si mesmo: “Juju sabe tudo, pô”.

Histórico

Eleito deputado federal em 2018 pelo PSL, sigla liderada por Jair Bolsonaro na época, o empresário de Campina Grande foi o 10º candidato mais votado na Paraíba. Em 2022, já no União Brasil, Lemos obteve 36.530 votos e não conseguiu ser reeleito, ficando com a primeira suplência do partido.

Durante o mandato na Câmara dos Deputados, Lemos votou a favor da Reforma da Previdência (PEC 6/2019), do congelamento de salários de servidores públicos (PLP 39/2020) e contra a transformação do auxílio emergencial permanente em programa permanente (PEC 15/2022).

O rompimento com Bolsonaro ocorreu em 2019, após ficar do lado do ex-ministro Gustavo Bebianno nas brigas com o presidente e seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Violência

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Julian Lemos já foi acusado de violência doméstica três vezes. Duas pela ex-mulher, Ravena Coura, e a terceira pela irmã, Kamila Lemos. Os casos teriam ocorrido entre os anos de 2013 e 2016, antes do empresário ingressar na carreira política. Porém,  nas três ocasiões as denunciantes desistiram de prosseguir com o processo e os casos foram arquivados pela Justiça.

A primeira queixa contra Julian foi prestada por Ravena em 2013. Na ocasião a ex-mulher disse à polícia que teria sido agredida fisicamente e ameaçada por uma arma de fogo. O empresário chegou a ser preso em flagrante.

Três anos depois, em 2016, Ravena afirmou às autoridades que o então companheiro era "uma pessoa muito violenta" e a teria a ameaçado. No entanto, meses depois ela recuou e alegou que o caso não passou de uma “desavença banal”.

Também em 2016, Lemos foi denunciado pela própria irmã. Na época, Kamila disse ter sido ofendida e agredida fisicamente ao tentar “apaziguar” uma briga do irmão com a ex-mulher. Contudo, nos meses seguintes ela afirmou à polícia que não tinha interesse em prosseguir com a ação contra o deputado.

Investigação

Após a divulgação do video em que o deputado acusa Bolsonaro de agredir Michele, a bancada feminista do PSOL na Câmara dos Deputados anunciou que cobrará a investigação do caso.

“Violência contra mulher é coisa séria, pode acometer quaisquer mulheres e acontece, em maioria, no próprio círculo familiar da vítima. A denúncia precisa ser investigada!”, publicou a bancada em rede social.

Editado por: Maria Franco

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