Novo governo

Transição: movimento negro apoia nomes para Igualdade Racial, mas quer presença em outras áreas

Nomes anunciados são "expressivos" para lideranças, que cobram mais: "demandas do povo negro são as do povo brasileiro"

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

Ouça o áudio:

Douglas Belchior e Nilma Lino Gomes são os nomes cotados para assumir o futuro Ministério da Igualdade Racial - Foto: Divulgação

Anunciado na última quinta-feira (10) pelo vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), o grupo de transição da área de Igualdade Racial, que deve retomar a condição de Ministério, foi bem recebido pelas lideranças do movimento negro brasileiro.

Continua após publicidade

"Esse núcleo que deve coordenar a Igualdade Racial são pessoas qualificadas e que tem condições, do ponto de visto político e técnico, de dar conta desse processo. No entanto, um dos problemas que ocorreram no governo anterior do PT foi a falta de diálogo com o movimento negro. Todos aprenderam a lição e nesta eleição nos aproximamos novamente", afirmou Rafael Pinto, da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen).

Leia também: Alckmin anuncia 35 novos nomes de seis núcleos da equipe de transição de governo

Regina Santos, fundadora do Movimento Negro Unificado (MNU), também celebrou a lista. "A minha impressão é que temos nomes extremamente expressivos para o movimento negro, não apenas na Igualdade Racial, como em outras pastas. Eu acho que o movimento negro contemporâneo está extremamente bem representado na figura de Douglas Belchior e tenho certeza que ele levará para esse grupo de trabalho as pautas do nosso povo."

A bióloga Maria José Menezes, conhecida como Zezé, fundadora da Marcha das Mulheres Negras e integrante do Coletivo Mahin, pediu maior participação em outras áreas.

"As demandas do povo negro são as demandas do povo brasileiro. É fundamental que todas as equipes tenham uma representatividade dos segmentos subalternizados nesse país. O que eu quero dizer é Ciência, Saúde, Educação e Itamaraty precisam ter negros", explica Zezé.

Ainda de acordo com a bióloga, "ainda está na mentalidade, no comportamento e nas manifestações, inclusive da esquerda, nos ver como um grupo identitário. Isso é muito ruim e não ajuda um país a resolver suas questões estruturais. Enquanto não estivermos na Economia, na Casa Civil, enfim, em vários espaços."

Ao todo, a equipe de transição, chefiada por Alckmin, convidou sete pessoas para participarem do grupo. São eles: Nilma Lino Gomes, ex-ministra de Igualdade Racial; Givânia Maria Silva, quilombola e doutora em sociologia; Douglas Belchior, fundador da educador e fundador da Uneafro; Thiago Tobias, advogado; Ieda Leal, do Movimento Negro Unificado (MNU); Martius das Chagas, secretário do Planejamento de Juiz de Fora; e Preta Ferreira, liderança da Ocupação 9 de Julho e ativista do movimento de moradia.

Para Rafael Pinto, há um problema na formação da equipe de trabalho: "Completamente sudestina". "Eu creio que para avançarmos no combate ao racismo temos que dialogar com toda a diversidade do movimento negro. Tenho pleno acordo com os nomes indicados. Sem sombra de dúvida, são entidades que constroem o movimento negro, mas o movimento negro é mais amplo e espero que esse núcleo consiga ampliar para além do sudeste."

Corrida ministerial

Os dois principais cotados para chefiarem o futuro Ministério da Igualdade Racial são Douglas Belchior e Nilma Lino Gomes. Ambos, estão na equipe de transição e terão conversas com a cúpula petista nos próximos dias.

Nilma Lino Gomes foi ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial -SEPPIR, em 2015, e do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos, entre 2015 e 2016. Os dois mandatos durante o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT).

Douglas Belchior é fundador da Uneafro e da Coalizão Negra por Direitos. Neste ano, concorreu a uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas não conseguiu se eleger. É, hoje, uma das principais lideranças negras dentro do PT.

Edição: Nicolau Soares