Começo de trabalho

GT dos povos originários se reúne pela primeira vez com lacunas e desafios

Novas nomeações cobrem lacunas na transição, mas ainda não há articulação com povos isolados na equipe

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Lula com lideranças indígenas na COP27 - Ricardo Stuckert

Na próxima segunda-feira (21), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, os 16 integrantes do grupo técnico sobre povos originários, da equipe de transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), irão se reunir para a primeira reunião de trabalho do coletivo.

Na última quinta-feira (17), após pressão da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), os coordenadores da transição concordaram em nomear mais cinco indígenas para o grupo, que agora se somam as deputadas eleitas Sonia Guajajara (PSOL) e Célia Xakriabá (PSOL), além de Joênia Wapichana (Rede), primeira parlamentar mulher indígena do país. No grupo estarão, também, Benki Piyãko, Davi Kopenawa, João Pedro Gonçalves, Juliana Cardoso, Marcio Augusto Freitas de Meira, Marivelton Baré e Tapi Yawalapiti.

Os novos integrantes são Eloy Terena, coordenador jurídico da Apib; Weibe Tapeba, coordenador da Federação dos Povos e Organizações Indígenas do Ceará (Fepoince) e do jurídico da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme); Kleber Karipuna, coordenador-executivo da Apib e ex-secretário executivo da Coiab; Kerexu, cofundadora a Articulação Nacional de Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga); e Yssô Truká, liderança do povo Truká e da Apoinme.

A Apib havia enviado uma relação com 19 nomes para o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), coordenador da transição. A entidade ficou surpresa ao ver que apenas três integrantes da relação foram nomeados para o grupo técnico.

De acordo com integrantes da Apib, escutados pelo Brasil de Fato, havia algumas lacunas dentro da equipe. A primeira, por sub-representação regional, já que a equipe era majoritariamente do Sudeste. Essa falha foi corrigida com as novas nomeações.

Isolados

Outro problema seria a falta de representação de lideranças próximas aos povos isolados ou de recente contato, que ainda não foi reparado no grupo técnico da transição. “É importante destacar. Nem todos os indígenas e indigenistas dominam esse tema. No último governo, que termina agora, a Univaja foi protagonista nesse trabalho, mas em nenhum momento fomos procurados para fazer esse trabalho”, criticou Beto Marubo, integrante da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

A vereadora Juliana Cardoso (PT-SP), um dos cinco indígenas eleitos deputados federais neste ano, estará no grupo técnico de transição dos povos originários e defendeu o diálogo com os povos isolados.

"Precisamos ter cautela para atender o nosso povo isolado que quer ser mantido isolado, sem a influência do homem branco. Ainda não tivemos nem a primeira reunião, tenho certeza que iremos expandir esse grupo e que todos serão contemplados. O GT é só um ponto de partida, depois vamos ampliar os olhares."

Para Cardoso, o trabalho realizado pelo grupo, que deve gerar a criação do Ministério dos Povos Originários, precisa apontar diretrizes que ajudem a compreender os recursos que são necessários para a criação da pasta. "As pautas do orçamento global são a Saúde, Educação e Assistência Social. Essas são prioridades e seus ministérios precisam ter um orçamento importante. Elas já estão contempladas, não tenha dúvida, pela PEC da Transição. Teremos que batalhar para que a nossa pasta tenha um orçamento necessário para que possamos trabalhar. Não podemos depender de recursos de fora do país, apenas."

 

Edição: Rodrigo Durão Coelho