Alerta

Vacinação contra difteria, tétano e coqueluche não alcança meta mínima desde 2013 no Brasil

Os dois piores resultados em mais de 25 anos ocorreram durante a gestão de Jair Bolsonaro

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
No ano passado, apenas 75% das crianças foram vacinadas com a tríplice bacteriana - Rovena Rosa/ Agência Brasil

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que o Brasil está próximo de completar uma década sem conseguir alcançar a cobertura vacinal recomendada na imunização contra difteria, tétano e coqueluche.

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Para que a população seja considerada protegida, é preciso atingir 95% do público alvo. Mas desde 2013 esse patamar não é cumprido para a tríplice bacteriana (DTP), que combate as três doenças.

Aplicada três vezes antes que bebês completem um ano de idade, a DTP é uma das vacinas mais antigas do calendário brasileiro. Junto com os imunizantes contra sarampo, poliomielite e as formas graves de tuberculose, ela revolucionou a saúde pública no país a partir da década de 1970.

No entanto, apenas 75% das crianças menores de um ano receberam o imunizante no ano passado. Em 2019, o índice foi de 73%. Os dois resultados são os piores registrados desde 1996.

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Os dados foram levantados pela iniciativa VAX*SIM, ligada ao Observa Infância da Fiocruz, que monitora o andamento do Programa Nacional de Imunização (PNI) entre crianças menores de cinco anos de idade.

Para chegar aos resultados, pesquisadores e pesquisadoras utilizaram informações oficiais do próprio PNI e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc). A queda no alcance da vacinação já causa repercussões.

"Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) apontam que, entre 2012 e 2021, 28 crianças entre seis meses e três anos morreram de coqueluche no Brasil. Já o tétano, matou outras três, enquanto a difteria fez cinco vítimas nessa faixa etária no período analisado", aponta a pesquisadora Patricia Boccolini, coordenadora do Observa Infância.

Além disso, a especialista alerta que a baixa procura pela imunização revela entraves ainda mais graves. "A vacina é um indicador de acesso aos serviços de saúde, uma vez que deve ser administrada dentro dos dois primeiros meses de vida do bebê, quando visitas ao pediatra são mais frequentes e o acompanhamento por profissionais de saúde da atenção básica é mais intenso", explica.

Covid-19

Na semana passada, o Observa Infância divulgou dados que apontam atrasos consideráveis também na vacinação infantil contra o coronavírus. As duas doses iniciais chegaram apenas para 5,5% das crianças de 3 e 4 anos que vivem no Brasil.

Segundo análise dos números do Vacinômetro Covid-19 do Ministério da Saúde, até 7 de novembro de 2022, pouco mais de 300 mil pessoas nessa faixa etária estavam com a proteção atualizada e menos de um milhão receberam a primeira dose. O país tem cerca de 5,9 milhões de crianças dessa idade que deveriam ser imunizadas.

O levantamento mostra uma realidade "preocupante", que persiste mesmo quatro meses após a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicação da Coronavac nessa faixa etária.

"Até junho de 2022, o Brasil registrava uma média de 2 mortes diárias por Covid-19 entre crianças menores de 5 anos. Desde a aprovação da Pfizer pediátrica pela Anvisa, em 16 de setembro, 26 crianças menores de 5 anos já morreram em decorrência da doença, o equivalente a dois óbitos a cada três dias", afirma Patricia Boccolini.

Edição: Nicolau Soares