Argentina

Cristina Kirchner após a condenação: "me querem presa ou morta"

Vice-presidente comentou sentença do tribunal de segunda instância e acusou juízes e procuradores de lawfare

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Cristina Fernández de Kirchner - Presidência Argentina

Horas depois de receber a condenação do 2º Tribunal Federal da Argentina (segunda instância), nesta terça-feira (06/12), a vice-presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, realizou uma live em suas redes sociais, para comentar a sentença, que a acusa de cometer atos de corrupção durante seus mandatos como presidente do país.

A principal acusação contra ela no caso é que houve corrupção em obras realizadas pelo governo regional da província de Santa Cruz, no Sul da Argentina [bastião político do seu falecido marido, o também ex-presidente Néstor Kirchner], as quais teriam sido realizadas com recursos de orçamentos aprovados em seu governo.

“Como vocês ouviram em minhas argumentações [durante o julgamento], eu provei claramente que, segundo a Constituição, eu não tenho controle sobre as leis que são aprovadas pelos deputados e senadores. Dizem que cometi o crime porque sancionei as leis. Eu, como presidente, não posso legislar, para isso servem os deputados e senadores”, disse Cristina.

Segundo a vice-presidente, que governou a Argentina entre 2007 e 2015, “a verdadeira sentença que me deram é a inabilitação perpétua para o exercício de cargos públicos, porque condenam um modelo econômico”.

“O poder econômico e midiático controla uma espécie de Estado paralelo e restrito. É um sistema disciplinar da direção política argentina. Não dos que pensam como eles, os macristas. Falo de nós, do peronismo, daqueles que têm compromisso com os direitos do povo”, acrescentou Cristina.

Ela também reforçou a denúncia de que a condenação que sofreu nesta terça se enquadra no mesmo conceito de lawfare que se viu em outros casos de políticos de esquerda na América do Sul, como os que realizaram contra Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil e Rafael Correa no Equador.

“Esse é o sistema que hoje me condena. Eles nunca vão tolerar que alguém não faça o que eles querem. É por isso que eles estão me condenando”, enfatizou a política, que também é presidente do Senado da Argentina.

Antes de finalizar seu discurso, Cristina aproveitou para recordar o atentado que sofreu em setembro deste ano, para dizer que aqueles que estão por trás da operação de lawfare contra ela “me querem presa ou morta”.

Contudo, insinuou que não pretende ser candidata em 2023, apesar de que a decisão desta terça ainda pode ser apelada na Corte Suprema de Justiça da Argentina – portanto, não é definitiva.

“No dia 10 de dezembro de 2023 eu não vou ter foro [em referência a que nesse dia terminam seus mandatos de vice-presidente e de senadora, a não ser que ela concorra a algum cargo em 2023] e sendo assim vocês poderão dar a ordem aos seus capangas da Corte Suprema para que me coloquem na prisão”, concluiu Cristina.

A Argentina terá eleições gerais em outubro de 2023, quando o presidente Alberto Fernández deve tentar sua reeleição. A declaração de Cristina dá a entender que ela não repetirá a fórmula ao seu lado, como vice-presidente. Portanto, a chapa governista terá que procurar outro acompanhante para o atual mandatário.