Negociação

Breque dos apps: entregadores suspendem paralisação após governo Lula acenar com regulamentação

"Se tem uma conversa, não há como ter a manifestação", afirma presidente de entidade que representa os trabalhadores

São Paulo | SP |

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"Tá muito difícil trabalhar, uma enorme exploração. Temos que trabalhar 12 ou 14 horas pra fazer R$ 250 numa semana", desabafou o presidente da Associação dos Entregadores de Aplicativos - José Cícero/Pública

A paralisação dos entregadores de aplicativos, que estava marcada para dia 25 de janeiro, foi suspensa após a categoria se reunir com o secretário de Economia Solidária, Gilberto Carvalho, que representou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta terça-feira (17).

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Entregadores confirmaram ao Brasil de Fato que Gilberto Carvalho colocou a regulamentação do trabalho de entregas por aplicativo entre as prioridades do governo federal. Diante da promessa, a greve, que estava prevista para ocorrer em diversas capitais do país, foi cancelada.

Altemício Nascimento, de São Paulo e da Associação dos Entregadores de Aplicativos (AEA), defendeu a suspensão da paralisação. "Estamos há quatro anos fazendo manifestações e o governo Bolsonaro não falou com a gente. Agora, o governo Lula e o ministro abriram as portas para o diálogo e vamos falar com eles. A manifestação do dia 25 foi cancelada porque eles pediram, já que o governo vai abrir as portas pra gente. Se tem uma conversa, não há como ter a manifestação."

Carvalho pediu aos entregadores que levem ao governo uma proposta de regulamentação da categoria. Em paralelo, o secretário conversará com Lula sobre as reclamações feitos pelos trabalhadores e uma comissão especial para tratar do tema deve ser montada.

Os entregadores pediram ao governo que haja monitoramento das taxas dos aplicativos, que as empresas sejam obrigadas a criar um fundo de proteção social aos trabalhadores e que haja um plano de aluguel de bicicletas para a categoria.

"Tá muito difícil trabalhar, uma enorme exploração. Temos que trabalhar 12 ou 14 horas pra fazer R$ 250 numa semana", desabafou Nascimento.

Edição: Thalita Pires