TERRA E DIREITOS

Editorial 290 | As medidas necessárias contra o trabalho escravo

É preciso medidas que responsabilizem toda a cadeia produtiva

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Problema sistêmico: 310 trabalhadores foram vítimas de trabalho escravo no setor em 2021; número é o maior desde 2013 | Crédito: ©Lilo Clareto/Repórter Brasil

Comida estragada, jornadas de trabalho de 15 horas diárias, compras forçadas em comércio local com preços abusivos descontados do salário, alojamento precário, folgas somente aos sábados. Choques elétricos, agressões e spray de pimenta para quem reclamasse. O cenário é de Bento Gonçalves, em 2023, em que 200 trabalhadores foram submetidos a trabalho escravizado pelas vinícolas Aurora, Salton e Garibaldi.

Para além da situação degradante em si, ainda houve posições em defesa do indefensável, como as do Centro da Indústria e Comércio de Bento Gonçalves, que culpabilizou políticas públicas sociais pela situação escravocrata descoberta.

A operação de órgãos do Estado indica uma postura mais ativa da fiscalização das relações de trabalho em 2023. Mas o desmonte na legislação trabalhista e o avanço da precarização ocorridas recentemente, nos governos Bolsonaro e Temer, favoreceram situações inaceitáveis como esta.

É preciso medidas que responsabilizem toda a cadeia produtiva, como a reparação efetiva aos trabalhadores violentados e a destinação das terras com trabalho análogo ao escravo à reforma agrária, como determina a Constituição Federal.

Afinal, as cooperativas de trabalho da agricultura familiar demonstram que é possível e viável a produção de alimentos saudáveis, e que colocam a vida e dignidade no trabalho acima do lucro.

Editado por: Pedro Carrano

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