Luta das mulheres

Radinho BdF: Conheça crianças que desenvolvem ações para combater o machismo

Com entrega de absorvente, curso de liderança e meninas no futebol, crianças lutam para defender direitos das mulheres

Ouça o áudio:

Movimentos feministas organizam agenda intensa para a semana do 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres
Movimentos feministas organizam agenda intensa para a semana do 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres - @lorenafadul
Clientes quiserem ser atendidos pelo sócio da minha mãe, por acharem que ela era secretaria

Imagine uma criança ama futebol. Ela gosta tanto desse esporte que pede para a mãe a levar para treinar em um time com outras crianças. Ao chegar na primeira aula, porém, ela repara que tem uma diferença em relação aos outros jogadores: a criança em questão é a única menina nas aulas de futebol.

Continua após publicidade

Parece difícil imaginar essa cena? Mas foi exatamente o que aconteceu com a Dora, que tem 8 anos e mora no Rio de Janeiro.

“Eu fazia aula de futebol e no início era só eu. Foi assim por alguns meses, aí entrou outra menina, mas ela ficou muito pouco. Aí, passado mais um tempo, entrou mais uma menina, que está até agora lá. Eu gostava mais quando tinham meninas no time”, conta Dora. “O futebol é um esporte muito conhecido pelos jogares homens. Claro que existem mulheres jogadoras muito boas, mas no mundo do futebol parece que primeiro vem homens e depois as mulheres.”

E nessa história toda, além de jogar futebol, a Dora ajudou a quebrar a ideia que meninas não podem fazer algumas coisas e ainda encorajou outras a virem junto. Ações como essa, feitas por crianças para ajudar a desconstruir o machismo, estão reunidas no episódio de hoje (8) do Radinho BdF, que marca o Dia Internacional de Luta das Mulheres.

“O machismo se tornou algum muito presente nos dias atuais, tanto que imagino que todo mundo já tinha vivenciado alguma situação. Eu já sofri machismo: ouvi palavras muito duras dizendo que não poderia ter a profissão que eu sonho só por ser menina. Fiquei muito triste, mas a gente tem que seguir”, contou Clara, que tem 13 anos e é de São Luís.

Machismo é o comportamento que rejeita a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Quem é machista acredita que as mulheres são inferiores e que não podem ocupar alguns lugares da nossa sociedade.


Mobilizadas, crianças fortalecem e incentivam meninas serem o que sonham - Reprodução/Meninas na Ciência EACH

Pelos direitos das mulheres

A reportagem do Radinho BdF vai até o Colégio Xingu, em Santo André, buscar com as crianças a resposta para uma pergunta: quando o machismo começa a aparecer na vida das crianças?

“Eu via acontecer com a minha mãe: ela trabalha na área da saúde e escuta muitos comentários pelo fato de usar saia e vestido e não macacão. As vezes as pessoas tendem a diminui tudo o que ela fez só por ela ser mulher”, conta Isabella Ximenes, que tem 14 anos e mora em Santo André.

O machismo no mercado de trabalho ainda é uma realidade para as mulheres, tanto que chama a atenção de crianças e adolescentes. Um estudo publicado recentemente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que as mulheres negras ganham, em média, 71% menos que os homens brancos.

“A minha mãe é advogada e ela tem o escritório dela. Já tiveram clientes que preferiam ser atendidos pelo sócio, porque acharam que ela era a secretaria do escritório e não a advogada, só porque ela é uma mulher. Uma mulher preta”, diz Júlia, moradora de São Paulo, de 16 anos.

Para mudar esse cenário, a Júlia resolveu arregaçar as mangas e passou a integrar o Programa Adolescente Saudável, da organização Plan International. Ela reúne outras crianças e adolescentes da sua comunidade para um papo direto sobre saúde e sobre direitos. Ela tem o papel de orientá-los quando têm algum problema e de identificar situações que coloquem a saúde e a segurança de meninos e meninas em risco.

“No projeto a gente trabalha muita essa questão de gênero e todo preconceito que existe contra as mulheres. Converso com jovens de periferia, de escolas públicas e ainda vejo muitos casos de violência doméstica.”

A violência doméstica, apesar de ser um crime grave no Brasil, ainda ocorre em muitos lares. Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgada na última semana aponta que 18,6 milhões de mulheres brasileiras foram vítimas de violência em 2022, o equivale a um estádio de futebol lotado todos os dias.

Luta e diversão

O assunto é sério, mas a diversão da molecada é garantida no Radinho BdF, em uma edição recheada de histórias, músicas e brincadeiras.

A Vitrolinha BdF põe som na caixa para “Jogadeira”, da Cacau Fernandes e Gabriela Kivitz, “Brincadeira de Menina”, da MC Soffia e “Maria Bonita”, MC Tha.

Na Hora da História, o professor de teatro Victor Cantagesso conta “Cachorros não Dançam Ballet”, de escrito por Anna Kemp e Sara Ogilvie e publicado pela editora Paz e Terra.


Radinho BdF comemora dois anos, com novidades especiais / Divulgação

Sintonize

O programa Radinho BdF vai ao ar às quartas-feiras, das 10h às 10h30, na Rádio Brasil Atual. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo. A edição também é transmitida na Rádio Brasil de Fato, às 9h, que pode ser ouvida no site do BdF.

Em diferentes dias e horários, o programa também é transmitido na Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), e na Rádio Terra HD 95,3 FM.

Assim como os demais conteúdos, o Brasil de Fato disponibiliza o Radinho BdF de forma gratuita para rádios comunitárias, rádios-poste e outras emissoras que manifestarem interesse em veicular o conteúdo. Para fazer parte da lista de distribuição, entre em contato pelo e-mail: [email protected].

Edição: Sarah Fernandes