terceiro mandato

Novo gabinete da China consolida poder de Xi Jinping

Governo escolheu neste domingo (12) gabinete ministerial, considera maior reformulação no alto escalão em 10 anos

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O presidente da China, Xi Jinping, durante evento em Riad, a capital da Arábia Saudita | Crédito: AFP

Numa mistura de caras novas e conhecidas, maiores ministérios manterão em parte seus chefes atuais. Estratégia indica cautela de Pequim perante turbulências econômicas e políticas. O novo governo chinês, encabeçado pelo presidente Xi Jinping, escolheu neste domingo (12/03) seu gabinete ministerial. Trata-se da maior reformulação no alto escalão de Pequim em uma década.

Os ministros foram indicados pelo recém empossado primeiro-ministro Li Qiang, numa mistura de personagens novas e antigas, e aprovados pelo Congresso Nacional do Povo, órgão legislativo máximo do país.

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O general Li Shangfu passará a ser o ministro de Defesa, Wang Xiaohong o de Segurança Pública, e Chen Yixin, de Segurança do Estado, chefiando a administração interna e os serviços secretos, enquanto He Rong assume a pasta da Justiça.

O anúncio vem dois dias depois de Xi iniciar um inédito terceiro quinquênio presidencial, aproximando-se, assim, da presidência vitalícia de fato. Em outubro, já fora eleito secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCC). Desse modo, o político de 69 anos sela seu status como mais poderoso político da China desde Mao Tsé-Tung (1893-1976).

Aposta na recuperação e surpresa no banco central

No sábado, Xi indicara seu antigo assessor e aliado próximo Li Qiang como premiê, numa iniciativa que espera-se possa dar fim à disputa histórica entre os dois líderes. Anteriormente responsável pelo maior centro de negócios do país, Xangai (leste), Li terá a difícil tarefa de lançar as bases para a recuperação econômica chinesa.

Em decorrência da pandemia de covid-19 e das consequentes medidas restritivas, a segunda maior economia do mundo cresceu apenas 3% em 2022, e espera-se que cresça 5% no ano corrente, sua meta mais baixa em cerca de três décadas.

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Na sessão deste domingo, o Congresso aprovou, ainda, Liu Kun como ministro das Finanças, e Zheng Shanjie, próximo de Xi, para chefe da Comissão de Desenvolvimento e Reforma, principal organismo de planejamento econômico do país. Permanecem Wang Wentao com o Ministério do Comércio, Jin Zhuanglong com o da Indústria e Tecnologia de Informação, e Wang Zhigang com a Ciência e Tecnologia.

Causou surpresa a decisão de manter Yi Gang como governador do banco central. Esperava-se que o economista de 65 anos, formado nos Estados Unidos, se aposentasse, desde que foi preterido na seleção do Comitê Permanente do Politburo, o círculo de poder do PCC, em outubro último.

A sombra da Rússia

Por sua vez, a escolha de Li Shangfu para a Defesa chama a atenção no atual contexto das medidas internacionais contra a Rússia pela invasão da Ucrânia.

Em 2018, o secretário de Estado americano Mike Pompeo anunciou sanções contra a empresa chinesa Equipment Development Department (EDD), da qual Li Shangfu era diretor, por adquirir armas da empresa estatal russa Rosoboronexport. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, em 2017 a EDD comprara caças Su-35 e, em 2018, equipamento relacionado com o sistema de mísseis terra-ar S-400.

O então porta-voz do Ministério chinês do Exterior, Geng Shuang, expressou "grande indignação", apelando para que Washington levantasse as sanções, pois a compra seria justificada, já que a Rússia era "parceira de cooperação estratégica" de Pequim.

Conteúdo originalmente publicado em: DW Brasil

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