Convocatória

Terceira Marcha das Mulheres Indígenas vai reunir 5 mil lideranças em setembro

Com o tema "Mulheres Biomas em Defesa da Biodiversidade pelas Raízes Ancestrais", evento ocupará capital federal

Brasil de Fato | Campinas (SP) |

Ouça o áudio:

Evento vai acontecer em Brasília entre 7 e 9 de setembro - ©Leo Otero / Cobertura Colaborativa

A Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA) anunciou os detalhes sobre a terceira edição da Marcha das Mulheres Indígenas nesta quarta-feira (9). O evento foi marcado para o período de 7 a 9 de setembro em Brasília.  

Continua após publicidade

Mais de 5 mil lideranças femininas dos seis biomas brasileiros são esperadas no evento, além de convidadas internacionais. O tema este ano, Mulheres Biomas em Defesa da Biodiversidade pelas Raízes Ancestrais, será o fio condutor de debates que pretendem reconectar a potencialidade das vozes ancestrais. 

O manifesto da iniciativa celebra a presença política de mulheres indígenas no executivo e no legislativo e ressalta: "não é mais tolerável aceitar política públicas inadequadas aos povos indígenas."

No entanto, o documento pondera que o caminho para superação de mais de 500 anos de apagamento não é simples, depende de coletividade e de reconhecimento da diversidade. 

"Apesar da política de extermínio, continuamos existindo e resistindo", diz Fernanda Kaingang

"Estamos dispostas a fazer desse momento a grande retomada da força ancestral da alma e espírito brasileiros. Isso só será possível, se tivermos ao nosso lado, mães, anciãs, caciques e lideranças homens colaborando com o avanço no diálogo coletivo em prol do bem maior."

As discussões sobre a presença dessa diversidade nas instituições também estão presente no manifesto.  

Do genocídio ao Ministério: o que muda no Brasil com os indígenas no poder?

"Nossos maiores inimigos são as leis que não reconhecem nossa diversidade e nossa existência. Falar em demarcação de terras indígenas é gritar pela continuidade da existência dos nossos povos. Ter uma mulher indígena como primeira ministra indígena é afirmar que as mulheres são a cura da terra e também a resposta para enfrentamentos à violência de gênero e racismos como o estrutural, institucional e ambiental."

Este ano, a ANMIGA também organiza atividades que vão compor Acampamento Terra Livre, entre 24 e 28 de abril, em Brasília. No ATL deste ano, será realizado um dia especial de programação das mulheres indígenas. A organização também prevê cursos de formação sobre direitos ambientais e sociodiversidades e participação na COP28.

Edição: Thalita Pires