[In]continência?

Presidente da Colômbia alerta para possível golpe militar no país

Nos últimos dias, a deposição do mandatário foi tema de entrevista e de protesto em praça pública

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Na Praça Bolívar, militares da reserva pediram a queda do presidente Gustavo Petro - Daniel Munõz/AFP

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, alertou nessa quinta (11) para um possível golpe de Estado contra seu governo. Petro se manifestou nas redes sociais após um coronel da reserva insinuar, em entrevista a uma rádio, que o país deveria seguir o exemplo do Peru, onde o então presidente Pedro Castillo foi afastado do poder no ano passado. “Aqui, vamos fazer de tudo para destituir um sujeito que foi guerrilheiro”, afirmou John Marulanda, ex-diretor da Associação de Oficiais Reformados das Forças Militares da Colômbia.

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“Por que eles estão planejando um golpe de Estado? Porque têm medo de que acabemos com a impunidade. Eles estão tão intimidados pela verdade que entram em desespero”, questionou pelo Twitter o presidente, que cobrou investigação sobre o caso. “Escondem judicialmente o que a sociedade já sabe: a corrupção enorme no Estado e o genocídio, a violência e o terror sobre o povo, são duas caras da mesma moeda.”

Petro é ex-guerrilheiro e combateu o Estado no passado, quando também criticou a atuação do Exército. Ele desfilou lado a lado com os chefes das Forças Armadas como seu comandante ao tomar posse como presidente em agosto do ano passado. Mas, nove meses depois, denuncia uma tentativa de golpe vinda de um militar da reserva.

Tradição democrática

Com os militares da ativa, o presidente tem uma relação cordial até o momento, condizente com a tradição democrática institucional da Colômbia, que não vivenciou golpes no passado recente — a exceção foi na ditadura do general Rojas Pinilla (1953-1957), curta para os padrões sul-americanos.

“Discordar do governo é muito diferente de incitar um golpe de Estado. Que alguém da reserva faça esse chamado é uma desonra para o uniforme que um dia ele trajou. A tradição democrática de nossas Forças JAMAIS deve ser posta em dúvida”, frisou a chefe de gabinete presidencial, Laura Sarabia, também pelo Twitter.

Após a repercussão negativa, Marulanda se retratou, corrigindo sua declaração. “Corrijo o que eu disse. Não se trata de destituir o presidente Gustavo Petro como se destituiu o presidente peruano Pedro Castillo.”

Na quarta-feira (10), antes de dar a entrevista, militares da reserva haviam participado de manifestação na Praça Bolívar, na capital Bogotá, onde gritaram “Fora Petro!” várias vezes. A quantidade de manifestantes presentes varia segundo as fontes, que dizem que o protesto teria reunido de centenas a 5 mil manifestantes que exibiram cartazes com críticas ao que chamam de “desprezo progressista” pela força pública.

A participação de militares da reserva em manifestações é permitida pela lei colombiana, mas a de militares da ativa é proibida. Desde o governo do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), militares da reserva têm sido aliados do chamado uribismo e críticos severos do petrismo.

O governo colombiano vive um momento de instabilidade e, recentemente, Petro demitiu parte de seu gabinete e nomeou sete novos ministros. A atuação dos militares da reserva em manifestações políticas tem sido cada vez mais frequente desde o governo do ex-presidente Álvaro Uribe, aliado dos militares da reserva e crítico severo do petrismo.

 

Edição: Rodrigo Durão Coelho