ÁGUA E SANEAMENTO

Artigo | Governo gaúcho põe em dúvida a lisura das decisões da Justiça no estado

Chefe da Casa Civil, Artur Lemos, classificou decisões judiciais no processo de privatização da Corsan como “aberração"

No audio source provided.
Ato público em Porto Alegre (RS) contra a privatização das empresas públicas estadual (CORSAN) e municipal (DMAE) | Crédito: Jonatan Brum/ ATBr

Na semana que passou, o governo do estado do RS, através de seu chefe da Casa Civil – Artur Lemos – classificou as decisões judiciais em relação ao processo de privatização da Corsan como: “Uma aberração. É difícil você defender algo quando a tomada de decisão não encontra nenhuma guarida na legislação”.

Essa declaração, flagrantemente, desrespeita às instituições e leva a crer que o governo Leite, se pudesse, passaria por cima da Justiça gaúcha para entregar a nossa água para a iniciativa privada.

Além das questões pertinentes à privatização, o governo também ataca a Justiça do Trabalho, quando essa concede decisões favoráveis aos trabalhadores e também ao Sindiágua, que representa os funcionários da Corsan.

Alardeia que a Companhia tem um “passivo trabalhista” enorme. Mas veja, só tem passivo quem deixa de honrar seus compromissos, quem não paga aos trabalhadores o que lhes é de direito.

O curioso é que alguns gestores que já passaram pela Corsan, e que têm relação direta com as causas do passivo trabalhista, hoje são deputados ou se apresentam como administradores competentes e “modernos”, ao mesmo tempo em que silenciam sobre a sua parte de responsabilidade.

A verdade é que o atual governo deixará uma enorme dívida trabalhista e previdenciária na Corsan. E pasmem, quem era o governador a partir de 2019? Ele mesmo, Eduardo Leite, que por incompetência ou desídia está dando causa a mais uma  parte do passivo e agora quer jogar a responsabilidade no colo dos trabalhadores.

As entidades e pessoas que estão fazendo o contraponto nessa privatização ganham e perdem ações, sem nunca colocar em xeque a lisura da Justiça.

Ao contrário, seguem acreditando no judiciário, pois entendem que ainda resta muito a ser discutido. O Sindiágua/RS e demais entidades representativas esperam que os deputados estaduais também façam o seu dever de fiscalizar os atos do governo. E mais, que instaurem a CPI da Corsan para que possam investigar afundo todo o processo obscuro que permeia a privatização da água dos gaúchos.

* Arilson Wünsch é presidente Sindiágua/RS.

** Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.


Editado por: Marcelo Ferreira

|

Newsletter