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Genoino: Belo Monte foi um erro e não defender pauta ambiental é caminho para derrota

União entre países sulamericanos, preconizada por Lula, é fundamental para proteção da Amazônia e povos originários

Ouça o áudio:

Obras de Belo Monte causaram estragos profundos ao meio ambiente e à cultura indígena - Roberto Stuckert
Foi um erro defender Belo Monte do jeito que estava

A defesa da pauta de proteção do meio ambiente, em especial da Amazônia, e dos direitos dos povos originários deve ser central na construção de um projeto progressista de país. E o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pode se abster de defender essa pauta. “Está faltando uma visão política da disputa do projeto. Veja bem o caso do meio ambiente. Nós temos que estabelecer uma norma clara. Nós não vamos tirar a agenda de meio ambiente e dos povos originários da pauta”, defendeu o ex-presidente do PT e ex-deputado federal, José Genoino, no quinto episódio da terceira temporada do podcast Três por Quatro.  

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Para Genoino, o Projeto de Lei 490, de 2007, que estabelece o Marco Temporal para a demarcação de terras indígenas, deve ser questionado “no limite do limite” e ter mobilizações dirigidas ao Supremo Tribunal Federal, ao Congresso Nacional, além de reuniões, plenárias e atos.  

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O ex-deputado lembrou, por exemplo, a questão da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, que causou divisão no governo e entre aliados. E defendeu que o governo Lula deve ter muita cautela e a proteção do meio ambiente e dos povos originários deve prevalecer. 

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“Ou nós incorporamos a agenda da transição ecológica do meio ambiente e da Amazônia em um projeto nacional ou então nós estamos derrotados. Nós não podemos ir pela onda produtivista de qualquer jeito. Eu defendi o projeto (da usina hidrelétrica de) Belo Monte. E foi um erro defender Belo Monte do jeito que estava. Ali tinha que ter negociado com os povos originários, com o meio ambiente. Tem que haver um estudo preciso, detalhado, técnico, sobre as possibilidades da pesquisa. Quais são as precauções e todas elas serem adotadas”, afirmou.  

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Além disso, Genoino destacou as relações internacionais do governo Lula e apontou que a proteção da Amazônia também parte de um processo de integração sulamericano, que tem sido o caminho traçado até aqui, com o recente encontro de presidentes do continente, realizado no Brasil, na última terça-feira e as próximas agendas com os países da Amazônia.  

Confira o episódio completo:

Segundo Genoino, o fortalecimento da União de Nações Sulamericanas (Unasul) seria fundamental nesse processo.  

“A defesa da Amazônia é de responsabilidade dos países que integram a Amazônia. A soberania é inegociável. Nós podemos considerar que a Amazônia é um patrimônio para a qualidade de vida da humanidade, mas a soberania não pode ser negociada, a não ser com os países que integram a Amazônia. Não dá para defender ela da violência, do narcotráfico, se não houver parceria com Peru, Venezuela, Colômbia, Bolívia. Tem que haver um compartilhamento, porque nós não temos conflitos entre os países que integram. E ela só pode ser defendida com a Unasul”, afirmou.  

João Pedro Stedile, liderança do MST e comentarista do podcast Três por Quatro concorda com Genoíno e destaca que o Congresso Nacional se tornou o refúgio da extrema direita, de onde ela vai atacar todas as pautas de interesse dela, sobretudo as pautas de meio ambiente, direitos sociais e dos povos originários e da disputa pela terra.  

“O parlamento sempre foi uma trincheira da burguesia por conta desse sistema eleitoral deformado, que não garante a representação da população. A extrema direita perdeu as eleições e se incrustou no legislativo como uma trincheira e está fazendo a luta contra tudo desde o parlamento. Está pautando temas de interesse dela para dialogar com a sua base e enfrentar o governo, a sociedade e o judiciário”, afirmou.

O podcast Três por Quatro é apresentado por Nara Lacerda e Igor Carvalho, que atuam na equipe de jornalismo do Brasil de Fato. Novos episódios são lançados toda sexta-feira pela manhã.

Edição: Rodrigo Gomes