SUBORDINAÇÃO

Fundação responsável pela reparação em Mariana (MG) terá intervenção cautelar judicial

Justiça reconheceu relação "umbilical" entre a fundação e as empresas responsáveis pelo rompimento da barragem

No audio source provided.
Bento Rodrigues, Mariana (MG) após rompimento da barragem do Fundão em 2015
Bento Rodrigues, Mariana (MG) após rompimento da barragem do Fundão em 2015 | Crédito: Rogério Alves / TV Senado

A Justiça Federal autorizou um intervenção cautelar na  Fundação Renova. A decisão busca garantir à entidade mais autonomia da em relação à Vale, BHP Billiton e Samarco, responsáveis pelo rompimento da barragem em Mariana em 2015, que causou danos aos moradores do município mineiro e a toda à Bacia do Rio Doce

A decisão foi assinada pelo juiz Michael Procopio Ribeiro Alves Avelar, da 4ª Vara Federal Cível e Agrária de Belo Horizonte, e destaca que uma série de ações de reparação ao crime não foram tomadas de forma satisfatória devido à relação "umbilical" entre a fundação e as empresas.

Segundo o documento, que foi publicado no dia 19 de maio, a medida será tomada para que a entidade cumpra "sua missão de existir no mundo". Além disso, o juiz determinou que, durante o período de intervenção cautelar, as instituições de Justiça tenham acesso aos documentos e instalações da Renova.

A Fundação Renova é uma organização sem fins lucrativos privada, responsável pela mobilização para a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão. Ela foi criada com base no Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) firmado entre diversos entes estatais com as mineradoras responsáveis pela barragem para garantir a reparação dos danos causados pelo rompimento.

:: Receba notícias de Minas Gerais no seu Whatsapp. Clique aqui ::

Moradora da região e militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Letícia Oliveira destaca que sempre houve a denúncia da relação problemática entre as mineradoras e a fundação. Segundo ela, o poder das empresas na gestão da entidade, que deveria garantir os interesses dos atingidos, é como se fosse "a raposa cuidando do galinheiro".

"Atualmente, a Vale, a BHP Billiton e a Samarco são as controladoras da Fundação Renova. São elas que participam do conselho curador da entidade, que tomam a decisão sobre as ações e o uso de recursos financeiros. É um erro muito grande deixar as empresas à vontade para conduzir a reparação da forma que elas quiserem. É o criminoso cuidando do crime", explica Letícia.

Principal luta da comunidade

Mesmo considerando a decisão judicial importante, ela enfatiza que a luta maior da comunidade é pelo fim da fundação e para que as famílias atingidas pelo rompimento da barragem conduzam o processo de reparação.

"É um CNPJ criado pelas mineradoras, que funciona para as mineradoras. Ela [a Renova] tem feito muito pouco. Não sabemos onde são aplicados os valores de reparação que ela declara, porque isso não é visto. Por exemplo, foram mais de 300 moradias destruídas e, até hoje, quase oito anos depois, nós não temos as comunidades reconstruídas", avalia a militante do MAB.

A decisão da Justiça Federal proíbe as mineradoras de demitirem integrantes do Conselho Curador, da Diretoria Executiva, do Conselho Fiscal, do Conselho Consultivo, presidente e diretores sem autorização judicial.

Editado por: Larissa Costa

|

Newsletter