Saúde em alerta

RS decreta estado de emergência por hospitalizações de crianças com doenças respiratórias

Medida é válida por 90 dias e determina priorização de leitos clínicos de suporte ventilatórios e de UTI pediátricas

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De acordo com o executivo estadual, o número de casos de SRAG encontra-se em zona de risco o que configura um cenário crítico, em especial, para a população com até 11 anos de idade | Crédito: Foto: Agência Brasil

O governo do estado do Rio Grande do Sul decretou, nesta quinta-feira (6), estado de emergência em saúde pública em todo o território para fins de prevenção e de enfrentamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças. O estado de emergência terá a vigência de 90 dias podendo ser prorrogado conforme evolução dos indicadores epidemiológicos.

O número de casos de SRAG encontra-se em zona de risco, o que configura um cenário crítico, em especial, para a população com até 11 anos de idade. Até o último dia 10 de junho, recorte usado para o embasamento epidemiológico do decreto, o RS apresentava 2.806 casos de SRAG em crianças até 11 anos, sendo 642 registros de internações em UTI. No mesmo período em 2022 foram 2.279 casos e 581 internações em UTI, já em 2021 foram 1.905 casos e 435 internações. Os dados demostram um aumento do número de casos de SRAG, sendo o maior desde o começo da série histórica em 2017 para a faixa etária até 11 anos.  

O decreto determina que as redes hospitalares que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS) deverão adotar medidas administrativas para priorizar a disponibilização dos leitos clínicos de suporte ventilatórios e de UTI pediátricas para os casos de SRAG em crianças. 

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) fará a coordenação das ações e serviços públicos de saúde voltados ao enfrentamento da emergência e as diretrizes gerais para a execução das medidas de contenção. 

"Foi uma decisão baseada em dados epidemiológicos e estressamento da rede de saúde que apontam o aumento das internações nessa faixa etária", afirma secretária-adjunta da SES, Ana Costa.

Segundo ela, o estado já vem tomando providências desde que lançou o Programa Inverno Gaúcho com Saúde, que conta com investimento de R$ 10,1 milhões para reforçar os serviços nos hospitais e nas portas de entrada, e o decreto abre também a possibilidade de buscar até R$ 26 milhões junto ao governo federal.

A secretaria-adjunta também reforçou a importância de medidas de prevenção como a vacinação em dia, lavagem constante das mãos e uso de máscara para quem estiver apresentado sintomas gripais.

O decreto também segue as diretrizes da Portaria 756/2023, do Ministério da Saúde, que institui, em caráter excepcional e temporário, incentivo financeiro de custeio para o atendimento de crianças com SRAG, na atenção de Média e Alta Complexidade do SUS. Segundo dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), o Rio Grande do Sul possuiu 264 leitos de UTI pediátrica em 26 hospitais.  

A importância da vacina

Em entrevista ao Brasil de Fato RS, em junho deste ano, o pediatra e emergencista Alexandre Bublitz já havia alertado sobre a situação. "A gente está vivendo um caos nas emergências pediátricas com superlotação e um alto número de crianças com problemas respiratórios", disse.

Segundo ele, maior parte desses problemas poderia ser sido evitada com a vacina. "São muitos casos de gripe, a maioria causados por influenza. A vacina da gripe hoje pega tanto o H1N1, a influenza do tipo A, a influenza do tipo B. Previne boa parte das infecções respiratórias mais importantes. Mas os pais pararam de levar as crianças para vacinar”, lamentou.


Editado por: Marcelo Ferreira

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