Nova marcha massiva, vinda de diversas regiões do país Peru, ocupa pela terceira vez a capital Lima. Movimentos sociais e organizações sociais do Peru para exigir a renúncia da Dina Boluarte (que assumiu após golpe parlamentar contra Pedro Castillo), o fechamento do Congresso e a convocação imediata de novas eleições gerais no país.
Como não poderia deixar de ser, a repressão da Força Nacional Peruana (FNP) tem acontecido. Membros da FNP lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes na quarta-feira na cidade de Huancavelica, departamento de mesmo nome, em meio à marcha nacional. No centro da capital, Lima, os enfrentamentos seguem.
À mobilização, organizada pela Coordinadora Nacional Unitaria de Lucha (CNUL) e Confederación General de Trabajadores del Perú (CGTP), entre outras organizações, incorporaram-se a população periférica de cidades como Huánuco, Pasco e Juliaca, de acordo com La Jornada e Telesur.
Nesse contexto, a marcha acontece no mesmo momento em que governo dos EUA amplia influência sobre governo Boluarte. Artigo publicado no site Rebelion aponta que, para viabilizar os exercícios militares, a presidência peruana promoveu uma resolução do Congresso que autoriza a presença de forças armadas estrangeiras por um período de 90 dias, até 29 de agosto de 2023. A permissão concedida aos militares dos EUA se soma à participação de assessores do Pentágono no planejamento dos Centros Regionais de Operações de Emergência (COER) sediados no Paraguai, Haiti e El Salvador, e também do Peru.
Os sucessivos governos neoliberais em Lima conseguiram fazer do país o terceiro maior foco de assistência militar e de segurança dos EUA na região, depois da Colômbia e do México.
Celac e um ponto importante para a venezuela bolivariana
A III Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da UE, realizada nos dias 17 e 18 de julho em Bruxelas, teve como um dos seus maiores avanços a ação do governo brasileiro em defesa de retirar as sanções internacionais contra a Venezuela bolivariana, iniciadas com o governo Obama e aprofundadas com o governo Trump.
O texto final do encontro também abordou o tema da disputa pela soberania das Ilhas Malvinas, hoje ocupadas pelo Reino Unido, mas que a Argentina reivindica como parte do seu território, que foi invadido e roubado pelos britânicos no século 19.
Além disso, no sentido oposto da OTAN, que pretende estender a guerra com a Rússia, Lula tem tido a habilidade de advogar por uma saída programática para o conflito, de acordo com editorial do Brasil de Fato.
É sempre, no entanto, preciso cautela na negociação de acordos e tratados propostos pelas potências centrais. Hoje, a União Europeia é a maior propulsora de tratados de livre comércio (TLCs) e bilaterais de investimento (TBIs) no mundo, sendo responsável por metade dos 3 mil acordos desses tipos em vigência no planeta, respondendo a interesses próprios e não dos países dependentes.

É sempre, no entanto, preciso cautela na negociação de acordos e tratados propostos pelas potências centrais / Ricardo Stuckert
Ainda nesta semana, mobilizações na Venezuela rechaçaram justamente as sanções provenientes do governo dos EUA
Jujuy, na Argentina, da rebelião à luta popular que segue
Em ato de violação da autonomia universitária, ontem a polícia entrou na sede da Universidade Nacional de Jujuy para intimidar a sessão do Conselho Superior da UNJu que se pronunciaria contra a repressão e a reforma constitucional. A população tem se mobilizado na cidade argentina, em grande mobilização popular.
De acordo com o Brasil de Fato, a província de Jujuy, no norte da Argentina, registra há semanas protestos contra uma reforma constitucional promovida pelo governador Gerardo Morales. O novo texto, de acordo com organizações de direitos humanos, restringe o direito à manifestação no território com vastos recursos de lítio, um dos minerais mais importantes das baterias elétricas e matéria-prima essencial na transição energética.
Pressão sobre Netanyahu em Israel
Milhares de israelenses se manifestaram ontem em Tel Aviv e perto do Parlamento e da Suprema Corte, instalados em Jerusalém, para reafirmar sua oposição à polêmica reforma judicial, promovida pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que terá votação crucial hoje no Legislativo.
