luta pela terra

Monumento em memória a sem-terra morto por PM é reconhecido como patrimônio histórico no PR

Localizada em Campo Largo, obra homenageia camponês Antonio Tavares, assassinado em 2000 em repressão contra marcha

Monumento do MST em homenagem ao camponês Antônio Tavares | Crédito: Foto: Wellington Lenon

O monumento Antônio Tavares, em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, foi tombado como patrimônio municipal histórico cultural. Isso significa que a prefeitura deve garantir a proteção e preservação da obra. A decisão foi publicada no decreto 224, do Diário Oficial do Município de Campo Largo, na última quinta-feira (20).

O pedido de tombamento faz parte do conjunto de reivindicações que tramitam na Corte Interamericana de Direitos Humanos, e que terá decisão divulgada nos próximos meses. A ação foi proposta em conjunto com as organizações Terra de Direitos e Justiça Global.

Projetado por Oscar Niemeyer, o monumento é uma homenagem ao camponês Antônio Tavares, assassinado pela Polícia Militar do Paraná em 02 de maio de 2000. À época, aproximadamente dois mil trabalhadores sem-terra se dirigiam a Curitiba para marcharem pela Reforma Agrária.

Orientada pelo governo de Jaime Lerner, a Polícia Militar do Paraná, organizada em uma tropa de 1,5 mil agentes, bloqueou a BR-277 e impediu – a bala – a chegada da comitiva de 50 ônibus à Curitiba.

Na altura do quilômetro 108, antes mesmo de qualquer diálogo, os agentes públicos de segurança dispararam contra os trabalhadores assim que desceram dos ônibus.

Entre os cerca de 185 feridos, o agricultor Antônio Tavares tombou ao disparo letal do policial militar Joel de Lima Santa Ana. Tavares tinha 38 anos e era pai de cinco filhos. Somente em 2012 o Tribunal de Justiça do Paraná condenou o Estado do Paraná pelo assassinato do trabalhador.

Editado por: Lia Bianchini

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