Segurança Pública

Após novo motim em cadeia deixar 31 mortos, Equador declara estado de emergência

Para tentar acabar com constantes rebeliões, governo de Guillermo Lasso militariza presidios do país

São Paulo |
Militares equatorianos ocupam Penitenciária del Litoral, em Guayaquil, após rebelião culminar em 31 mortes - Twitter Guillermo Lassp

Depois de mais uma onda de violência nos presídios do país, o governo do Equador declarou estado de emergência por 60 dias nas prisões. Com isso, as forças armadas foram autorizadas a retomar o controle carcerário, a fim de impedir os inúmeros confrontos e mortes que tem ocorrido. Do fim de semana ate a noite desta terça-feira (25), ocorreram ao menos 31 assassinatos na penitenciária de Guayaquil, cidade litorânea e porta de entrada para o Pacífico.

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Para tentar conter o conflito, cerca de 3 mil policiais ocuparam a penitenciária. Durante a ação foram apreendidas armas de fogo, munições, facões, dinamite, drogas, rádios de comunicação e dólares.

Após a ação dos militares, o presidente Guillermo Lasso publicou em rede social que a ordem foi restabelecida em Guayaquil.

"O Estado põe ordem na Penitenciária do Litoral porque a força coercitiva jamais se curvará. Hoje, pela madrugada, iniciamos a intervenção, após decretado o estado de exceção no sistema prisional com o Decreto 823", disse Lasso.

Com as eleições presidenciais previstas para 20 de agosto, o país assiste aos candidatos fazerem promessas para a área de segurança pública.

Alertas de bombas, lojas fechadas, suspensão de jornada de trabalho, aulas escolares e do transporte público já são realidade em algumas cidades equatorianas.

Em Esmeraldas, cidade de 220 mil habitantes que faz fronteira com a Colômbia, um artefato explosivo foi encontrado na sede da Promotoria. Um coquetel molotov lançado contra o órgão feriu um civil.

Em nota, a Promotoria pediu para que o Estado atue com firmeza contra a violência e a criminalidade, executando ações que permitam o desenvolvimento das atividades do órgão em um ambiente de paz e tranquilidade.

A Secretaria Geral de Comunicação do governo informou que os ataques são uma resposta do crime organizado às ações do Estado contra o narcotráfico e de ordenação do sistema penitenciário do país.

"O estado de exceção nos centros de privação de liberdade, para enfrentar o crime organizado e levar ordem às prisões, gerou a reação de grupos criminosos em Esmeraldas", afirmou o órgão.

Conflito de anos

O Equador enfrenta uma crise no sistema carcerário desde fevereiro de 2021, quando um motim em Guayaquil levou à morte 118 pessoas. Com vídeos de decapitações e corpos queimados, a rebelião ficou conhecida como a mais sangrenta do país.

Desde então, frequentes rebeliões deixam um rastro de morte no país. Já são mais de 400 assassinatos nos presídios equatorianos.

De acordo com o Ministério Público equatoriano, os motins ocorrem devido ao confronto de cartéis na disputa pelo controle dos presídios. O Equador é rota para a cocaína produzida no Peru e Colômbia e palco de disputas entre narcotraficantes.

Esta é só mais uma das crises que o país vivencia. Para evitar o impeachment, após ser acusado por crimes de peculato e corrupção passiva, o atual presidente do Equador, Guillermo Lasso, dissolveu o Parlamento e convocou novas eleições. A crise de segurança no fim de seu mandato se tornou motivo de promessas políticas de reforma nos presídios do país.

Edição: Thales Schmidt