Ressonância

“Lampejo separatista”: políticos reagem a declaração de Zema sobre “protagonismo” do Sul-Sudeste contra Nordeste

Não é a primeira vez que governador de Minas Gerais ganha repercussão após falas que discriminam nordestinos

No audio source provided.
Parte dos governadores do Consórcio Nordeste durante encontro entre as lideranças dos estados; João Azevêdo (PSB), governador da Paraíba é atual presidente do grupo | Crédito: Francisco França/Governo da Paraíba

O Consórcio Nordeste e políticos do campo progressista reagiram neste final de semana após o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), defender que os estados das regiões Sul e Sudeste se unam para barrar o avanço dos interesses do Nordeste. O mandatário disse, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo no sábado (5), que o grupo busca consolidar um “protagonismo” para garantir força majoritária frente às demais regiões. Esta não é a primeira vez que o governador mineiro ganha repercussão após falas que discriminam nordestinos.

Em nota oficial, o Consórcio Nordeste disse que Zema tem uma “leitura preocupante do Brasil”. “Ao defender o protagonismo do Sul e do Sudeste, indica um movimento de tensionamento com o Norte e o Nordeste, sabidamente regiões que vêm sendo penalizadas ao longo das últimas décadas dos projetos nacionais de desenvolvimento”, acrescenta o bloco, que reúne os governadores de todos os nove estados da região.

O grupo diz ainda que o Consórcio Nordeste, bem como o da Amazônia Legal, busca ampliar a cooperação local, compartilhar “melhores práticas e soluções de problemas comuns” e favorecer o desenvolvimento sustentável, buscando não uma “guerra” com os outros estados do país, mas sim “compensar desigualdades históricas de oportunidades de desenvolvimento”.

 “Negando qualquer tipo de lampejo separatista, o Consórcio Nordeste imediatamente anuncia em seu slogan que é uma expressão de ‘O Brasil que cresce unido’. Enquanto Norte e Nordeste apostam no fortalecimento do projeto de um Brasil democrático, inclusivo e, portanto, de união e reconstrução, a referida entrevista parece aprofundar a lógica subalterno, dividido e desigual”, acrescenta a nota, que ao final apela ainda para a “união nacional em torno da reconstituição de áreas estratégicas para o país”.  

Pelas redes sociais, parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado também se manifestaram. “A ignorância e o preconceito de Zema são atributos seus muito conhecidos, mas que não deixam de envergonhar toda vez que vêm a público. O alento é saber que Minas e os mineiros são muito maiores do que esse funesto sujeito, acidente político em um estado de história tão altiva”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE), que se manifestou via Twitter.

 

 

O líder da bancada do PSOL na Câmara dos Deputados, Guilherme Boulos (SP), também reagiu. “Revoltante. Depois de elogiar Bolsonaro, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, disse que o Nordeste é uma ‘vaquinha’ que ‘produz pouco’ e disse que as críticas à concentração de renda no país ‘têm de ter limite’. Preconceituoso e nojento”, disse o psolista.

 

 

Presidenta nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) também se manifestou em sua página no Twitter: “Só mesmo o bolsonarista Zema para propor união Sul-Sudeste contra os Nordeste. Preconceituoso e atrasado. Eu sou do Sul e essa fala é inadmissível. Temos orgulho no Nordeste, do povo nordestino. Queremos a união do povo brasileiro por um país justo, solidário, livre de discriminação”.

 

 

Já o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) chamou de “inaceitável” a declaração dada por Zema na entrevista em questão. “Inaceitável a fala abjeta e preconceituosa de Romeu Zema. O sujeito desrespeita o Nordeste sempre que pode. Ainda teve a pachorra de afirmar que as críticas à concentração de renda ‘têm de ter limite’. Logo ele, dono de um patrimônio declarado de R$ 130 milhões. Não passarão”.

Editado por: Camila Salmazio

|

Newsletter