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Em Minas Gerais, chegou a hora da Bancada da Terra e do Teto

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Bella Gonçalves e Célia Xakriabá lançam a bancada da Terra e do Teto - Crédito : Edgar Xakriabá
Vamos ocupar, indigenizar e mulherizar a nossa política

Por Bella Gonçalves e Célia Xakriabá

Nesse fim de semana, marcamos um momento de uma construção potente e especial para Minas Gerais e para Belo Horizonte. Lançamos a Casa Terra, espaço coletivo das nossas mandatas, que queremos que seja palco de muita construção e luta junto aos movimentos sociais. Em uma articulação que chamamos de Bancada da Terra e do Teto, nos juntamos na luta pelo meio ambiente, contra o modelo predatório de mineração que devasta nosso Estado, pelo direito aos territórios, pela diversidade e por direitos humanos. Vamos ocupar, indigenizar e mulherizar a nossa política.

Aproveitamos para lembrar um pouco das lutas que já travamos nesses seis meses de nossos mandatos. Fizemos audiências públicas contra a mineração na Serra do Curral e pela criação do Parque Nacional da Serra do Curral; decretamos emergência climática em Minas Gerais no Dia Internacional do Meio Ambiente; estivemos juntas durante a luta contra o rodominério de Romeu Zema – tanto em ações no estado, como em comitiva em Brasília para acionar ministros e ministras. Também atuamos juntas pelos direitos das comunidades atingidas na repactuação da reparação do crime da mineração em Mariana.

Foi com a Bancada da Terra e do Teto que levamos as retomadas da Região Metropolitana para debater direitos em audiência pública na Assembleia Legislativa; que fomos ouvir as cidades e comunidades atingidas pelo projeto da Vale na Serra da Serpentina, projeto que foi arquivado recentemente. Foi assim, que atuamos contra o corte de verbas das Assessorias Técnicas Independentes que atuam nas regiões atingidas pelo rompimento da barragem em Brumadinho, e conseguimos a normalização das verbas. Além de barrar a mineração na Serra do Curral.

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Talvez uma das nossas principais vitórias nesse semestre seja a revogação da resolução 01 da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), que retirava o direito à consulta livre, prévia e informada dos nossos povos e comunidades tradicionais, violando a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Somos Fora Zema

Falamos aqui de pensar projetos para Minas Gerais, falamos aqui de romper com o projeto programado de destruição que derrotamos com a saída de Bolsonaro, mas que ainda resiste com o governo Zema. Falamos aqui do que sempre defendemos em nossos parlamentos: reflorestar e ocupar a política. Falamos de políticas que atravessam nossos corpos e nosso povo, e de abrir um espaço coletivo para a sociedade.

Se falamos que não precisa ser indígena, se não precisa ser mulher, negro ou negra e ou LGBTQIA+ para fazer a defesa do que defendemos no chão da luta, o que queremos fazer com nossas mandatas é também um chamado para construir esses enfrentamentos tão importantes para Minas Gerais e para a garantia da humanidade.

Ter um espaço para abraçar o povo é nossa prioridade agora. Somos duas mulheres com trajetórias diferentes, mas que se encontram exatamente no chão da luta. Seja na luta por territórios e direito à moradia nas cidades, como na luta pela demarcação dos territórios indígenas. Agora, sabemos que é hora de unirmos forças para combater o atraso em um governo de Minas Gerais que vai na contramão dos avanços que queremos no novo ciclo que começou neste ano no país.

Somos Fora Zema, somos pela Serra do Curral, somos pelas ocupações urbanas, pelos territórios indígenas. Somos pelos povos e comunidades tradicionais, pelas águas gerais, montanhas gerais. Somos pelos direitos das pessoas atingidas pela mineração, pela qualidade de vida nas cidades e no campo. Somos pela soberania alimentar e nos forjamos junto aos movimentos sociais. E é isso que celebramos com a nossa nova morada: a Casa Terra.

Aos que em nossas Casas legislativas dizem que nós somos atrasadas, lembramos aqui que atrasado é ter um país e um Congresso que demorou 500 anos para eleger indígenas, 523 anos para ter uma mulher indígena presidindo uma comissão, 523 anos para ter um Ministério dos Povos Indígenas e uma mulher indígena à frente da Funai. Atrasado é um estado que só em 2022 elegeu uma mulher assumidamente LGBTQIA+. Atrasado é um país que quer votar retrocessos e implementar um projeto programado de ecocídio. Juntas, queremos assinar e não assassinar direitos.

Venha conhecer e construir com a Bancada da Terra e do Teto e mulherizar Minas Gerais.

 

Bella Gonçalves é uma mulher, lésbica, lutadora pelo direito à cidade e deputada estadual de Minas Gerais (PSOL).

Célia Xakriabá é a primeira indígena eleita por Minas Gerais, doutoranda na UFMG e presidenta da Comissão da Amazônia, Povos Originários e Tradicionais.

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Leia outros artigos de Bella Gonçalves em sua coluna no jornal Brasil de Fato MG.

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Este é um artigo de opinião. A visão das autoras não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

Edição: Larissa Costa