AVANÇO REACIONÁRIO

Extrema direita aceita acordo que permitiria novo governo conservador na Espanha

Partido extremista Vox concordou em apoiar líder conservador Alberto Núñez Feijó sem formar parte do governo

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Líder do partido de extrema direita da Espanha aceitou acordo para permitir ampliação da aliança de direita - Vox

A disputa aberta para a formação de um governo de coalizão na Espanha após as eleições gerais de 23 de julho ganhou um novo capítulo neste domingo (06/08), após o líder do partido de extrema direita Voz, Santiago Abascal, anunciar que aceita entregar os 33 votos conseguidos por sua legenda em favor do líder do Partido Popular (PP, representante da direita tradicional conservadora da Espanha) mesmo se não tiver cargos em um possível novo governo, exigência que vinha mantendo desde o dia seguinte à votação.

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A decisão pode gerar uma mudança na briga pelos apoios decisivos para a formação de governo, já que os votos em disputa são dos partidos regionalistas, especialmente os da Catalunha e do País Basco, que são tratados pelo Vox como “separatistas” e “terroristas” – com ênfase no caso basco, devido à ligação de algumas figuras com o antigo movimento Pátria Basca e Liberdade (ETA, por sua sigla em idioma local), extinto em 2018.

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Em seu anúncio, porém, Abascal esteve longe de mostrar algum tipo de moderação para atrair os regionalistas para o setor. Muito pelo contrário, os atacou, chamando-os de “inimigos da Espanha”.

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“O Vox tomou uma decisão baseada na preocupação diante da possibilidade de um segundo governo Pedro Sánchez com o apoio dos inimigos da Espanha, incluindo fugitivos da Justiça ligados ao Junts, Bildu, PNV e ERC”, afirmou o líder da extrema direita espanhola.

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A aliança de Feijóo com o Vox vem mantendo os regionalistas mais próximos de chegar a um acordo com o atual presidente Pedro Sánchez, líder do Partido Socialista Operário da Espanha (PSOE), de centro-esquerda.

Cenário político atual

Nas eleições de julho, o PP foi o partido mais votado, elegendo 136 representantes para a Câmara dos Deputados. O PSOE ficou em segundo, com 122. O terceiro colocado foi o Vox, com 33 vagas conquistadas, enquanto o quarto mais votado foi o Movimento Somar, legenda de esquerda liderada pela vice-presidente Yolanda Díaz, com 31 parlamentares eleitos.

Para se alcançar a maioria simples no parlamento, necessária para formar governo, é preciso ter uma bancada de 176 integrantes.

A aliança entre PP e Vox conforma um grupo de 169 parlamentares, que fica muito próximo de atingir o patamar necessário e com boa vantagem em comparação com a união das esquerdas entre PSOE e Somar, que alcança 153.

No entanto, como todas as vagas restantes são de partidos regionalistas considerados pelo Vox como “inimigos da Espanha”, a aquisição de novos apoios para Feijóo se tornou uma missão praticamente impossível.

Mesmo para a coalizão de esquerda essa ampliação tem sido difícil. Nas duas semanas posteriores ao pleito, Sánchez conseguiu o apoio da Esquerda Republicana Catalã (ERC) tem sete deputados eleitos, da Esquerda Basca (EH Bildu), que tem seis, do Bloco Nacionalista Galego (BNG) e da União do Povo de Navarra (UPN), que possuem um cada. Com isso, ampliou sua bancada para 168 representantes, um a menos que a oposição de direita.

Assim, as últimas cadeiras a serem disputadas são de partidos regionalistas de direita, como o Partido Nacionalista Basco (PNV), que elegeu cinco deputados, o Juntos Pela Catalunha (Junts), que elegeu sete, e a Coalizão das Ilhas Canárias, que elegeu um.

Existe a possibilidade de que nenhuma das duas coalizões consiga atingir o número de 176 representantes, já que os partidos que ainda não se definiram podem optar pela abstenção, o que tornaria impossível alcançar o mínimo necessário. Se isso acontecer, deverá ser convocada uma nova eleição.