Entrevista

Padilha: líderes não são contra taxar fundos offshore, e PL deve ser aprovado pela Câmara

Ministro explica que tributação garantirá aumento do salário mínimo e imposto de renda mais baixo para classe média

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, concedeu entrevista ao Brasil de Fato nesta quarta-feira (23) - Sérgio Lima

A tributação dos fundos offshore, as reservas em depósito bancário que ficam fora do país, foi retirada da medida provisória que trata do aumento do salário mínimo. Mas, segundo o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, é possível que a proposta seja aprovada por meio de um projeto de lei. 

Em entrevista exclusiva ao BDF Entrevista, Padilha explica que a retirada do projeto de tributação da MP foi um pedido dos líderes da Câmara dos Deputados. “[Eles] gostariam que isso fosse tratado de forma separada, pra gente poder se dedicar a esse debate”. 

A MP que trata do aumento do salário mínimo vale até o dia 28 de agosto, por isso, o governo tem urgência em debater o tema. A medida deve ser votada ainda nesta quarta-feira e estabelece o salário no valor de R$ 1.320. 

“O ministro Fernando Haddad, tem feito esses debates. Não senti dos líderes, e do próprio presidente da Câmara, um rechaço à proposta. Eu ouvi que não é que eles sejam contra a taxação dos fundos offshore, mas querem debater isso de forma concentrada. Acho que a gente vai poder esclarecer à sociedade, mostrando que são pouquíssimas famílias, são os multimilionários, muito poucos que vão receber essa taxação”, explica o ministro. 

Ainda segundo Padilha, a tributação vai garantir “o Imposto de Renda mais barato para a classe média e recursos para o salário mínimo”. “Inclusive, é uma taxação que coloca o Brasil no patamar de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), da Europa, que são tidos como um parâmetro de regulação econômica, que fazem taxação desses fundos”.

Espaço para o centrão

O debate sobre quais serão as pastas que entrarão em uma possível reforma ministerial, que deve abrir espaço para partidos do centrão no governo, ficou para a volta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva da África do Sul, onde acontece a reunião dos Brics.

Mesmo sem revelar a formatação de uma base consolidada na Câmara, as vitórias recentes no Congresso, como o Arcabouço Fiscal e a Reforma Tributária, animam o governo. Segundo Padilha, é necessário “compreender a realidade desses partidos e continuar nesse esforço”. 

“Para nós, o centro é isolar o bolsonarismo radical, isolar aqueles que defenderam os atos golpistas do dia 8 de Janeiro, e abrir um diálogo com todos aqueles que rechaçaram os atos”, explica o ministro. 

“O Brasil tem um conjunto de prioridades, que é retomar o ambiente econômico para poder crescer, recriar os programas sociais e salvar a democracia. Aqueles que querem estar junto conosco nesse tripé, nós queremos que estejam dentro do governo”, completa Padilha. 

Edição: Rodrigo Durão Coelho