9 e 10 de setembro

No G20, Lula deve fazer campanha mundial pelo combate à fome, aponta Maringoni

Interesses contraditórios do bloco dificultam medidas efetivas do governo brasileiro no grupo

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“O G20 por ser tão grande, ter tantos interesses contraditórios não consegue se mexer”, diz Maringoni. | Crédito: Wikipédia Commons

Nesta quinta-feira (07), após a cerimônia do sete de setembro, o presidente Lula da Silva embarca para a Índia. Ele vai participar da reunião do G20. O grupo reúne as 19 maiores economias do mundo e a União Europeia. Lula assume a presidência rotativa do bloco em dezembro e segue no cargo até o fim de 2024. Para falar sobre as expectativas para esse encontro, o programa Central do Brasil desta quarta-feira (06) conversou com Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Na sua visão, Lula terá dificuldades em atuar, uma vez que forças antagônicas compõem o G20, de um lado os países que integram a OTAN (A aliança militar ocidental) e de outro as nações que compõem o Brics. “É muito difícil que ele consiga nesse jogo, nesse cabo de guerra ter uma ação muito efetiva. Mas é claro que é um lugar de visibilidade pro presidente Lula fazer sua pregação, como ele tem dito, é uma campanha mundial pelo combate à fome.”

Maringoni destaca ainda que o encontro não deve trazer nenhuma posição com relação à guerra da Rússia e Ucrânia que desagrade a Rússia. “O G20 por ser tão grande, ter tantos interesses contraditórios não consegue se mexer, então provavelmente a resolução que vai sair estará repleta de lugares comuns, como a cooperação internacional pela paz, nada que tenha uma efetividade.”

Segundo Marangoni, há uma contradição no discurso externo do presidente Lula e a ação concreta do seu governo no país com relação ao enfrentamento das desigualdades e do Estado como organizador da economia. “Estamos vendo cortes orçamentários nessas últimas semanas, a última agora é o anúncio por parte da equipe econômica de abolir os pisos orçamentários para saúde e educação em função do déficit zero. Se isso acontecer vai ser um desastre total, o discurso do presidente Lula para fora vai ser um e a ação do seu governo vai ser acentuar a desigualdade.”

“Eu espero que a pregação externa ajude também o governo aqui dentro numa combinação virtuosa para que nós tenhamos uma uma gestão que consiga internamente acabar com a fome e dar esse exemplo para o mundo, como é a esperança do presidente Lula”, concluiu. 

Assista agora ao programa completo:

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