EDITORIAL 317

EDITORIAL. A urgência da questão urbana: trabalho, dignidade e moradia

A atuação da prefeitura de Greca e Eduardo Pimentel se faz indiferente, como no caso da ocupação Britanite

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“É preciso mudar radicalmente este projeto elitista e termos um projeto popular para a cidade”. Foto: | Crédito: Pedro Carrano

É urgente um programa de regularização fundiária e um massivo plano de construção de moradias populares em Curitiba. Cidade cantada aos quatro ventos como modelo, poderia liderar um processo inovador, audacioso e digno do nosso tempo.

Mas o que se vê, desde muito tempo, é um show de pirotecnia verborrágica e pouca, quase nada, mão na massa.

São centenas de áreas não regularizadas, outras dezenas de áreas ocupadas e ameaçadas de despejo, e impera a ausência de iniciativa, plano e estratégia do poder municipal em atuar.

O governo municipal age, eventualmente, no varejo dos problemas, caso a caso, quando algo que está por ocorrer – despejos por exemplo –, o que poderá causar um problema novo maior do que aquele que já existe.

Por vezes a atuação da prefeitura de Greca e Eduardo Pimentel se faz indiferente, como no caso da ocupação Britanite, que após mobilização da comunidade e da mediação do Ministério Público e do Tribunal de Justiça, obteve a suspensão, por 90 de uma ordem de despejo. Aqui é gritante a ausência de iniciativa do executivo municipal.

As frases típicas de higienismo social, proferidas pela presidenta da FAS, são a expressão sem filtros do que se passa na cabeça dos que governam Curitiba. Os pobres são um problema a ser “limpado” da cidade.

Curitiba carece de governo humanizado, que enxergue nos problemas sociais da cidade uma oportunidade de promoção do desenvolvimento inclusivo, que responda aos problemas concretos irradiando cidadania e sustentabilidade.

Um plano de regularização urbana e revitalização de áreas ocupadas seria impulsionador de milhares de empregos na cidade, onde os próprios moradores das áreas de ocupação poderiam integrar frentes de trabalho, mutirões de cidadania, construindo suas próprias casas.

Que resolva o problema das cheias, na qual a população precisa enfrentar sozinha uma situação que se repete todos os anos.

Oxalá a primavera que se aproxima possa nos inspirar na construção de uma Curitiba plena naquilo que a cidade pode ser. É preciso mudar radicalmente este projeto elitista e termos um projeto popular para a cidade.

 

Editado por: Pedro Carrano

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