Vida das Mulheres

Senado aprova projeto que cria benefício para órfãos do feminicídio; texto vai à sanção presidencial

De autoria da deputada Maria do Rosário (PT), projeto prevê pagamento de um salário mínimo para dependentes de vítima

No audio source provided.
Enquanto que no primeiro semestre de 2019 foram registrados 636 feminicídios, em 2020, foram contabilizados 648 casos. 66,6% das vítimas de feminicídio no Brasil eram negras. | Crédito: Fabiana Reinholz

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (3), o Projeto de Lei 976/22, que cria um benefício especial destinado à crianças e adolescentes filhos de vítimas de feminicídio. De autoria da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), o projeto já foi aprovado na Câmara e agora segue para a sanção do presidente da República.

No Brasil, a cada seis horas um feminicídio é registrado. Em 2022, 1,4 mil mulheres perderam suas vidas, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Sem estatística oficial de órfãos desses crimes, a estimativa é que, pelo menos 2.529 crianças e adolescentes perderam suas mães, levando em conta a taxa brasileira de fecundidade estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"O projeto vai garantir apoio e amparo às crianças e adolescentes que enfrentam a triste realidade do feminicídio, ainda que não se possa apagar a tragédia", afirma Rosário. 

O benefício será de um salário mínimo, destinado aos filhos biológicos ou adotivos e dependentes das vítimas, cuja renda familiar mensal per capita seja igual ou inferior a 25% do salário mínimo. Este valor deverá ser pago até que os beneficiários completem os 18 anos de idade.

:: ::

Ainda de acordo com o PL, o requerimento da pensão especial de que trata esta Lei será realizado no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As despesas decorrentes do disposto correrão à conta da programação orçamentária Indenizações e Pensões Especiais de Responsabilidade da União.

"Tenho muita esperança de que, lançando luz sobre a dor das crianças, cesse a violência contra a mulher no Brasil. Enquanto este dia não chega, estamos assegurando um futuro melhor, com oportunidades e dignidade para aquelas que, além do luto, vivem a vulnerabilidade da pobreza", pontua a parlamentar. 

No Senado, o PL teve a relatoria das senadora Leila Barros (PDT-DF) na Comissão de Assuntos Sociais, e da senadora Augusta Brito (PT-CE) na Comissão de Assuntos Econômicos. No plenário, o relator foi o senador gaúcho Paulo Paim (PT), que ressaltou o caráter humanitário da proposta.

"Trata-se de um projeto que pode trazer um mínimo de alívio para famílias destruídas por esse crime bárbaro, proporcionando um pequeno raio de esperança em meio à escuridão que o acompanha", destaca Paim.

Auxílio para mulheres vítimas de violência

No dia 14 de setembro de 2023, o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei que garante o pagamento, por até seis meses, de auxílio-aluguel a mulheres vítimas de violência doméstica em situação de vulnerabilidade socioeconômica e que precisam ser afastadas do lar. O texto inclui o benefício entre as medidas protetivas de urgência da Lei Maria da Penha.

O pagamento do auxílio-aluguel será concedido por um juiz e financiado por estados, municípios e o Distrito Federal, por meio do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e do Fundo de Assistência Social. O valor da assistência a ser concedida vai depender das condições de vulnerabilidade em que cada vítima se encontra e do município em que ela vive.

Em 2022, as agressões em contexto de violência doméstica aumentaram 2,9%, totalizando 245,7 mil casos, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Editado por: Marcelo Ferreira

|

Newsletter