Tragédia

Jorginho Mello descumpre acordo para fechamento de barragem e PM ataca área indígena no centro do debate do marco temporal em SC

Para liberar acesso às comportas, povo Xokleng pedia liberação de rodovia, barcos, cestas básicas e água potável

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Na madrugada, povo Xokleng resistiu ao avanço da Polícia Militar - Foto: Juventude Xokleng

Após intervenção violenta da Polícia Militar de Santa Catarina, as duas comportas da Barragem Norte de José Boiteux (SC), que estão dentro de território indígena do povo Xokleng, foram fechadas pelo governo catarinense, na manhã deste domingo (8).

Na noite de sábado (7), a Justiça Federal autorizou o fechamento das comportas, desde que o governador Jorginho Mello (PL) cumprisse as sete exigências das lideranças Xokleng, que são: desobstrução e melhorias da estrada que serve de rota de fuga para os indígenas, em caso de alagamento da aldeia; equipe de Saúde 24 horas dentro da área Xokleng; três barcos para a comunidade; fornecimento de água potável; fornecimento de cestas básicas; e construção de novas casas para os desabrigados da enchente no local.

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A preocupação das lideranças do povo Xokleng é que sem a execução do plano de contingência, especialmente sem a liberação da rodovia e dos barcos, indígenas ficariam isolados dentro da área alagada, sem rota de fuga.

O território ganhou repercussão nacional ao se tornar o centro do debate sobre o marco temporal, tese que foi rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal por 9 votos a 2, em setembro deste ano.


Polícia Militar entra na área da Barragem Norte de José Boiteux / Foto: Reprodução/X

De acordo com fontes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), os indígenas esperavam que o governador Jorginho Mello cumprisse suas obrigações do acordo antes de fechar a barragem. No entanto, o mandatário determinou o fechamento da barragem sem assistir às necessidades dos Xokleng.

Vatxug Camlem, da Juventude Xokleng, conta que “metade das aldeias já estão alagadas”. "O Exército está a caminho para ajudar a Defesa Civil, que não está dando conta. A barragem já foi fechada, vão acontecer alagamentos e deslizamentos. A maioria dos caciques assinou o pedido de acordo com eles e o único que não assinou foi o da aldeia Sede, o Voia de Lima, ele não assinou. Eles assinaram esse termo de compromisso com eles, mas infelizmente eles estão passando por cima de nós.”

A Juventude Xokleng lançou uma campanha de arrecadação de fundos para a compra de medicamentos e alimentos. Quem quiser colaborar, basta fazer uma doação para Micael Vaipon Weitscha (PIX: 04964724964) ou Walderes Coctá Priprá (PIX: 05242719923).

Violência

Na madrugada, indígenas montaram barricadas para impedir que a Polícia Militar acessasse o local da barragem. No entanto, quando amanheceu, os policiais começaram a atirar nos Xokleng e conseguiram entrar na área das comportas.

De acordo com lideranças Xokleng, dois indígenas ficaram feridos e foram levados para o hospital. Um deles, que foi atingido na cabeça por um tiro de borracha, passará por uma cirurgia.

Outro lado

O Brasil de Fato não conseguiu localizar a assessoria de comunicação do governo de Santa Catarina.

Edição: José Eduardo Bernardes