CENTRAL DO BRASIL

'É um conflito entre colonizador e colonizado', diz especialista na questão palestina

Pesquisador revela que cerco de Israel a Gaza não é novidade e que palestinos vivem sufocados pelo governo israelense

Brasil de Fato | Recife (PE) |

Ouça o áudio:

A descolonização da palestina envolve, antes de mais nada, que palestinos tenham voz, diz Max Leite, judeu antissionista - MAHMUD HAMS / AFP

O conflito entre Israel e o Hamas chegou ao quarto dia nesta terça-feira (10), contabilizando mais de 1,8 mil mortes. Deflagrada no sábado (7), a guerra atingiu a região da Faixa de Gaza, que vem sendo alvo de ataques contínuos. O governo israelense anunciou na segunda-feira (9) que iria intensificar o cerco ao território e cortar o fornecimento de água, luz, combustíveis e alimentos

O governo local fala em ataques a prédios, com centenas de mortos. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou nesta terça-feira (10) que está do lado de Israel no conflito e que vai solicitar recursos financeiros para apoiar os israelenses. 

Leia mais Movimentos e organizações fazem ato em solidariedade ao povo palestino nesta quarta (11) em São Paulo

Para analisar a dimensão do conflito, o Central do Brasil desta terça-feira ouviu dois especialistas: Marcelo Buzetto, cientista político e autor do livro A questão palestina, e Max Leite, judeu antissionista. 

Continua após publicidade

Buzetto descreveu o conflito como um confronto entre colonizador e colonizado. O cerco de Israel, contestado pela ONU, não é novidade, na avaliação dele. 

"É um conflito entre colonizador e colonizados. Os palestinos foram colonizados. Eles tiveram a terra invadida, com apoio de potências estrangeiras. Então eles lutam para ter a sua independência, soberania, a sua libertação nacional", avaliou. 

"O povo palestino que está em Gaza não tem para onde fugir. Israel impede que eles saiam. Eles não têm aeroporto, porto, não tem rodoviária. Eles não podem sair de lá. Israel, de fato, comete crimes de guerra quando ele impõe este cerco e obriga a população a ficar lá sem luz, sem água e sem comida, sem acesso à ajuda humanitária". 

A Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado afirmou estar "seriamente preocupada" com o último ataque de Israel a Gaza e com o anúncio israelense de um cerco total à região envolvendo a retenção de água, alimentos, eletricidade e combustível, "o que custará, sem dúvida, vidas de civis e constitui uma punição coletiva". O colegiado insta as forças de segurança israelitas e os grupos armados palestinos a respeitarem estritamente o direito internacional humanitário e o direito internacional em matéria de direitos humanos.

Leia mais: Comissão da ONU aponta evidências de crimes de guerra no conflito entre Israel e Palestina

O confronto começou no último sábado (7), quando integrantes do Hamas atacaram cidades do território israelense. Na avaliação de Buzetto, esse ataque palestino é uma reação ao peso do colonialismo exercido por Israel contra a população de Gaza. 

"Hoje, existem mais de cinco milhões de refugiados palestinos que não podem voltar para suas terras. Essa operação, feita por uma das organizações mais conhecidas, que é o Hamas, mas tem outras que participaram, está reivindicando a troca de prisioneiros. O trágico é a situação palestina. Nós não desejamos a morte de nenhum civil. Na verdade, não desejamos a morte de nenhuma pessoa. Mas o que é fundamental para solucionar esse conflito e encontrar um caminho de paz é a gente resolver o problema palestino", analisou. 

Já Max Leite, judeu antissionista integrante da organização internacional Jews Against White Supremacy (Judeus Contra a Supremacia Branca, em tradução livre), que explicou um pouco do conceito de sionismo e falou sobre a percepção dele a respeito do conflito. Na avaliação de Leite, a saída é respeitar o entendimento da população palestina sobre o próprio território. 

"A gente defende a autodeterminação dos povos. A gente defende a autonomia do povo palestino. Não tem como uma pessoa que não é palestina definir o que é para ser feito naquele contexto. A descolonização da Palestina envolve, antes de mais nada, que palestinos tenham voz", analisou. 

O conteúdo completo duas entrevistas está disponível na edição desta terça-feira(10) do Central do Brasil no canal do Brasil de Fato no YouTube



E tem mais! 
 

Agroindústria 

Ministros visitam agroindústria do MST que se destaca na produção de laticínios. A Copran, no Paraná, recebeu a visita de integrantes do governo em um evento para ressaltar a importância da reforma agrária no combate à fome e na soberania alimentar.

O Central do Brasil é uma produção do Brasil de Fato. O programa é exibido de segunda a sexta-feira, ao vivo, sempre às 13h, pela Rede TVT e por emissoras parceiras. 

Edição: Thalita Pires