O assentamento Dorcelina Folador, em Arapongas, norte do Paraná, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) recebeu nesta segunda-feira (9) a visita de dois ministros do governo Lula em mais um sinal da retomada dos esforços para fortalecer a agricultura familiar e o combate à insegurança alimentar.
Paulo Teixeira, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e Wellington Dias, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil (MDS), conheceram a Cooperativa da Comercialização e Reforma Agrária Camponesa (COPRAN),
A cooperativa beneficia cerca de 42 toneladas de alimento por dia, envolvendo a produção de cerca de 420 camponeses e camponesas, em mais de 20 municípios das regiões Norte, Centro-Oeste e Noroeste do Paraná. Um terço de sua produção é vendida ao mercado institucional e 70% ao mercado convencional.
"Precisamos espalhar esses exemplos de sucesso", afirmou Dias, durante a visita aos diversos setores do assentamento.
"Divulgar o que acontece depois das ocupações: a produção de alimentos e de alternativas para combater a fome. Queremos, a partir dessas experiências de sucesso, aperfeiçoar outros assentamentos que ainda tem dificuldade."
No assentamento Dorcelina Folador vivem 92 famílias desde 1999, em lotes de 6 ou 7 hectares. A partir de 2013, passou a funcionar no local uma indústria de laticínios.
“É uma experiência de reforma agrária bem sucedida”, disse Teixeira, referindo-se a toda a cadeia de produção da agricultura familiar e agroecológica, desde o acesso à terra até a agroindústria; a Copran; o acesso a programas públicos de crédito e a programas públicos de aquisição de alimentos, como o Plano Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
“Este assentamento é um sucesso e um exemplo a ser replicado”, afirmou Teixeira. Ambos - que foram acompanhados ainda do presidente da Conab, Edegar Pretto, e do Incra, Cesar Aldrigh - conheceram a produção de uma família que vive no local.
“Eles viram de perto a nossa agroindústria, conhecendo o nosso povo que trabalha em cada posto de trabalho da cooperativa, a juventude, as mulheres. Esperamos que possam proporcionar políticas públicas que atendam as necessidades do nosso povo Sem Terra”, disse Dirlete Dellazeri, integrante da diretoria da cooperativa e assentada na comunidade.
Teixeira afirmou que “serão destinados cerca de 300 toneladas de alimentos saudáveis para instituições da rede socioassistencial, equipamentos de alimentação e nutrição, escolas, dentre outros, beneficiando mais de 100 famílias de agricultoras e agricultores da região", por meio do PAA, um dos pilares do governo federal para o combate da insegurança alimentar.
O titular do MDA disse ainda que a primeira ação do Programa de Adjudicação de Terras Públicas – que vai arrecadar áreas de grandes devedores ao Estado para destiná-las à reforma agrária – será no Paraná, nos 42 mil hectares do Grupo Atalla, onde vivem cerca de 1,3 mil famílias.
Edição: Rodrigo Durão Coelho
