FUTURO SOCIALISTA

Movimentos populares se reúnem na África do Sul e apresentam soluções para enfrentar capitalismo global

Terceira edição da Conferência Dilemas da Humanidade começa neste sábado (14) com 120 organizações de mais de 70 países

Brasil de Fato | Joanesburgo (África do Sul) | |
"Diálogos em direção ao socialismo" é o lema da terceira edição da Conferência Internacional Dilemas da Humanidade - Zoe Alexandra

Discutir soluções para as crises da humanidade a partir de uma perspectiva popular. Essa é a missão de aproximadamente 500 líderes políticos progressistas, intelectuais e membros de movimentos de massas de mais de 70 países durante a terceira edição da Conferência Internacional dos Dilemas da Humanidade, que acontece de 14 a 18 de outubro, em Joanesburgo, na África do Sul.

O local escolhido para o encontro deste ano é o Constitution Hill, uma antiga prisão onde foram detidos combatentes anti-apartheid como Winnie Mandela, Nelson Mandela e Joe Slovo. Também é onde está a sede do Tribunal Constitucional da África do Sul, a mais alta corte do país. Hoje, o espaço abriga um museu que conta a jornada do país africano rumo à democracia.

“A conferência tem como objetivo discutir e encontrar soluções. Porque as soluções só podem ser encontradas pelas pessoas organizadas a nível popular. Somos nós que podemos implementar o socialismo. O socialismo que nos levará adiante”, pontua Thapelo Mohapi, secretário-geral do maior movimento sul-africano de moradores de favelas, o Abahlali baseMjondolo, em entrevista ao Brasil de Fato

Uma das lutas centrais do Abahlali, que atua principalmente nas cidades de Durban, Pietermaritzburg e Cidade do Cabo, é frear as remoções forçadas e defender o direito da população pobre de viver em moradias de qualidade nas cidades - o que inclui a melhoria dos assentamentos já existentes

“Entendemos que estamos sendo empobrecidos e por isso dizemos que a dignidade dos pobres deve ser reconhecida e estamos firmes que é um ideal pelo qual estamos preparados para lutar, porque não podemos viver num país onde a desigualdade cresce diariamente. Somos o país mais desigual do mundo e, portanto, não podemos ficar sentados e assistir enquanto isso acontece", disse Mohapi.

“O capitalismo assumiu o controle e precisamos nos levantar e lutar contra ele, e contra a exploração da classe trabalhadora, contra os serviços básicos não fornecidos aos necessitados nos assentamentos informais”, completa a liderança.


O Constitution Hill, palco da conferência, guarda o passado turbulento da África do Sul durante o apartheid / Luis de Jesús

Integrante da Assembleia Internacional dos Povos e da equipe de coordenação da conferência, a mexicana Stephanie Weatherbee Brito pontuou que as 120 organizações estão reunidas para falar sobre um socialismo “necessário, legítimo e possível”.

“Esta conferência é um passo num processo construído pelos movimentos da classe trabalhadora, que procura provocar não só o debate, mas também a ação em torno da construção de um futuro socialista onde todos possam viver com dignidade”, explica Brito.

Os palestrantes e participantes da conferência incluem representantes das lutas globais contra o capitalismo e o imperialismo, incluindo Claudia de la Cruz do Partido para o Socialismo e Libertação em os EUA, Kwesi Pratt Jr. do Movimento Socialista de Gana, e João Pedro Stedile do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil (MST).


Aproximadamente 120 organizações de mais de 70 países se reúnem em Joanesburgo / Luis de Jesús

Solidariedade à Palestina

A conferência receberá também Leila Khaled, ativista pela liberdade palestina e integrante da Frente Popular de Libertação da Palestina (PFLP). Thapelo Mohapi expressou solidariedade com a resistência palestiniana em curso. 

“Os nossos camaradas na Palestina, neste momento, estão sujeitos a um governo muito forte e muito ganancioso, um estado de apartheid de Israel, apoiado pelos EUA. É uma combinação imperial que tenta por todos os meios reprimir, suprimir e até matar pessoas inocentes na Palestina. E dizemos ao povo da Palestina que os nossos corações e almas estão convosco. E um dia estaremos lá desfrutando da terra que pertence a vocês e que continua a ser invadida pelo governo de Israel”, conclui Mohapi.

*com colaboração de People´s dispatch 
 

Edição: Rodrigo Durão Coelho